{"id":22967,"date":"2011-03-18T16:16:17","date_gmt":"2011-03-18T16:16:17","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/2011\/03\/18\/entrevista-paulo-nacif-reitor-da-ufrb-fala-sobre-os-desafios-de-construir-uma-universidade-e-a-possibilidade-de-implanta-la-em-feira\/"},"modified":"2011-03-18T16:16:17","modified_gmt":"2011-03-18T16:16:17","slug":"entrevista-paulo-nacif-reitor-da-ufrb-fala-sobre-os-desafios-de-construir-uma-universidade-e-a-possibilidade-de-implanta-la-em-feira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/entrevista-paulo-nacif-reitor-da-ufrb-fala-sobre-os-desafios-de-construir-uma-universidade-e-a-possibilidade-de-implanta-la-em-feira\/","title":{"rendered":"Entrevista | Paulo Nacif, reitor da UFRB, fala sobre os desafios de construir uma universidade e a possibilidade de implant\u00e1-la em Feira"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.jornalgrandebahia.com.br\/materia.asp?id=28395\">http:\/\/www.jornalgrandebahia.com.br\/materia.asp?id=28395<\/a><\/p>\n<p>18\/03\/2011 &#8211; Jornal Grande Bahia<\/p>\n<p>Ao visitar a sede da <a href=\"\/portal\/\/\">UFRB<\/a> (Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia) em Cruz das Almas, para matricular-me no\u00a0<a href=\"\/portal\/pgcienciassociais\/\">Mestrado em Ci\u00eancias Sociais<\/a>,  deparei-me com uma realidade pouco comum ao setor p\u00fablico brasileiro,  v\u00e1rios edif\u00edcios modernos, bem projetados e constru\u00eddos, pr\u00e9dios antigos  e conservados, o in\u00edcio de uma cidade universit\u00e1ria. Meu impulso  imediato foi conhecer melhor a institui\u00e7\u00e3o e verbalizar para a sociedade  esta joia do conhecimento.<\/p>\n<p>Fui ao pr\u00e9dio da  reitoria para entrevistar Paulo Gabriel Soledade Nacif, reitor desta  jovem universidade, criada em 2005. Mas, que nasceu no Brasil Imp\u00e9rio,  como registrado no livro: <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/leaf?id=0B4i672D4ZuHsNWMzODZiNTAtMTMwYi00MzdmLWFmYzAtZmU2MWFjM2Q4ZjYw&amp;hl=en\">UFRB 5 anos: Caminhos Hist\u00f3ria e Mem\u00f3rias<\/a>.  \u201cA Ata de cria\u00e7\u00e3o est\u00e1 recheada de assinaturas importantes. Era 1859 e  Dom Pedro II criava naquele momento o Imperial Instituto Baiano de  Agricultura.\u201d<\/p>\n<p>O texto a seguir, foi extra\u00eddo do livro \u2018<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/leaf?id=0B4i672D4ZuHsNWMzODZiNTAtMTMwYi00MzdmLWFmYzAtZmU2MWFjM2Q4ZjYw&amp;hl=en\">UFRB 5 anos<\/a>\u2019,  sintetiza e define o perfil da institui\u00e7\u00e3o: \u201cNascida a partir de uma  ampla mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade baiana e em especial das regi\u00f5es do  Rec\u00f4ncavo e do Jiquiri\u00e7\u00e1, a UFRB traz em sua ess\u00eancia uma express\u00e3o e  proposi\u00e7\u00e3o de saberes, conhecimentos, forma\u00e7\u00e3o, pesquisa e extens\u00e3o  diretamente relacionada \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o social, notadamente, no que  concerne a inclus\u00e3o e igualdade s\u00f3cio-racial.\u201d.<\/p>\n<p><em><strong>Sobre o entrevistado<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Falar de Gabriel \u00e9  f\u00e1cil, primeiro porque ele foge ao estereotipo do intelectual acad\u00eamico:  jovem, comunicativo e conectado a realidade que o circunda. Soledade \u00e9 o  tipo de entrevistado com que pode se conversar por horas. Admirador do  escritor portugu\u00eas Jos\u00e9 Saramago (falecido), ele escolheu uma frase para  abrir o cap\u00edtulo: <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/leaf?id=0B4i672D4ZuHsNWMzODZiNTAtMTMwYi00MzdmLWFmYzAtZmU2MWFjM2Q4ZjYw&amp;hl=en\">O livro, a data, nosso caminho<\/a>:<\/p>\n<p>\u201cO fim duma viagem \u00e9  apenas o come\u00e7o de outra. \u00c9 preciso ver o que n\u00e3o foi visto, ver outra  vez o que se viu j\u00e1, ver na primavera o que se vira no ver\u00e3o, ver de dia  o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva ca\u00eda, ver a  seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que  aqui n\u00e3o estava. \u00c9 preciso voltar aos passos que foram dados, para  repetir e para tra\u00e7ar caminhos novos ao lado deles. \u00c9 preciso recome\u00e7ar a  viagem. Sempre.\u201d, Jos\u00e9 Saramago.<\/p>\n<p><strong>Perfil<\/strong><\/p>\n<p>Natural de Quaraci,  perto de cidade de Itabuna, residiu durante 15 anos em Teodoro Sampaio,  mudando-se para Itabuna, onde iniciou os estudos em t\u00e9cnica agr\u00edcola na  EMARC (Escola M\u00e9dia Agropecu\u00e1ria Regional da CEPLAC, Comiss\u00e3o Executiva  do Plano da Lavoura Cacaueira). Mas uma vez, muda-se para Cruz das  Almas, onde gradua-se em Agronomia pela Faculdade de Agronomia da UFBA.  Na sequ\u00eancia, especializa-se com mestrado e doutorado pela mesma  institui\u00e7\u00e3o. Ainda em Cruz das Almas come\u00e7ou a lecionar.<\/p>\n<p>Com exclusividade, na  \u00faltima sexta-feira (11\/03\/2011), o Jornal Grande Bahia (JGB) entrevistou  o reitor da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia, Paulo Gabriel  Soledade Nacif, que falou sobre a import\u00e2ncia do presidente Lula no  processo de interioriza\u00e7\u00e3o do ensino superior no Brasil. Tamb\u00e9m falou  sobre as realiza\u00e7\u00f5es, dificuldades e desafios estando \u00e0 frente da UFRB:  \u201cestamos construindo quatro cidades, s\u00e3o quatro campi universit\u00e1rios e o  que se v\u00ea no campus de Crus das Almas \u00e9 s\u00f3 uma demonstra\u00e7\u00e3o do que  ocorre nos outros campus.\u201d<\/p>\n<p><em><strong>Entrevista<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>JGB<\/strong> &#8211; \u00c9 impressionante a estrutura da UFRB, tendo apenas cinco anos. O que o senhor realizou e est\u00e1 realizando neste per\u00edodo?<\/p>\n<p><em><strong>Paulo Soledade<\/strong><\/em> &#8211; N\u00f3s vivemos um momento extremamente rico de implanta\u00e7\u00e3o desta  universidade. Na verdade a UFRB come\u00e7a l\u00e1 em 1859, com a cria\u00e7\u00e3o do  Imperial Instituto Agr\u00edcola, feito por D. Pedro II.<\/p>\n<p>Por volta de 1879, n\u00f3s  tivemos a cria\u00e7\u00e3o da Escola Agr\u00edcola Imperial, em S\u00e3o Francisco do  Conde e na d\u00e9cada de 1940, essa escola agr\u00edcola passa por Salvador e vem  para a cidade de Cruz das Almas.<\/p>\n<p>Da d\u00e9cada de 1940 ao  in\u00edcio dos anos 2000, n\u00f3s tivemos uma Escola de Agronomia, aqui em Cruz,  oferecendo o curso de Agronomia. Logo em seguida, o presidente Lula  cria a UFRB, desmembrando a escola de Agronomia da UFBA (Universidade  Federal da Bahia).<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, avan\u00e7amos  muito. Estamos em quatro campis: Amargosa, Cachoeira, Cruz das Almas e  Santo Ant\u00f4nio de Jesus e existe uma previs\u00e3o de implanta\u00e7\u00e3o do campus de  Santo Amaro. Ent\u00e3o, eu diria que nos empreendemos uma aventura  impressionante ao implantar a primeira universidade federal  completamente no interior da Bahia.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, pois n\u00f3s  n\u00e3o temos uma cultura nessa dire\u00e7\u00e3o. A Bahia levou muito tempo sem ter  universidades federais, enquanto Minas Gerais criou 11 universidades o  Rio Grande do Sul cinco ou seis, Rio de Janeiro quatro, a Para\u00edba tem  duas universidades, mas com uma densidade de cobertura incr\u00edvel. A Bahia  ficou para traz neste aspecto.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando a UFRB \u00e9  criada n\u00f3s temos esse desafio. Que \u00e9 vencer a in\u00e9rcia que separou a  Bahia das universidades. Assim, come\u00e7amos a investir nos quatros campis.  J\u00e1 s\u00e3o mais de R$ 100 milh\u00f5es investidos. Temos cerca de 400 servidores  t\u00e9cnicos-administrativos e 500 professores. S\u00e3o 36 cursos de gradua\u00e7\u00e3o,  nove mestrados e um doutorado. Enfim, em cinco anos n\u00f3s temos muito a  amostrar e isso \u00e9 um desafio enorme.<\/p>\n<p><strong>JGB<\/strong> &#8211; A institui\u00e7\u00e3o conta com quantos alunos?<\/p>\n<p><em><strong>Paulo Soledade<\/strong><\/em> &#8211; Com a matr\u00edcula feita, agora, em 2011, vamos ultrapassar o n\u00famero de  6.000 alunos. Possivelmente, chegaremos a 12.000 alunos nos pr\u00f3ximos  cinco anos.<\/p>\n<p><strong>JGB <\/strong>&#8211; No campus da UFRB, de Cruz das Almas, \u00e9 percept\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias obras. O que est\u00e1 sendo feito aqui?<\/p>\n<p><em><strong>Paulo Soledade<\/strong><\/em> &#8211; O que voc\u00ea v\u00ea aqui em Cruz, tamb\u00e9m, est\u00e1 reproduzido em: Amargosa,  Santo Ant\u00f4nio de Jesus e em Cachoeira. Cada um com a sua peculiaridade.  Ent\u00e3o, temos uma vida dif\u00edcil de construir permanentemente. As  licita\u00e7\u00f5es ocorrem, contratamos empresas e as vezes, essas empresas n\u00e3o  constroem na velocidade que a gente quer.<\/p>\n<p>Eu diria que estamos  construindo quatro cidades, s\u00e3o quatro campis universit\u00e1rios e o que se  v\u00ea no campus de Crus das Almas \u00e9 s\u00f3 uma demonstra\u00e7\u00e3o do que ocorre nos  outros campis. Cachoeira tem uma peculiaridade porque o projeto da  universidade \u00e9 que ela esteja dentro do parque hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, nos centros  hist\u00f3ricos de Cachoeira e S\u00e3o F\u00e9lix, passar\u00e3o a contar com v\u00e1rias  unidades da UFRB. O CAHL (Centro de Artes, Humanidades e Letras) \u00e9 um  centro em funcionamento e n\u00f3s devemos instalar uma unidade em S\u00e3o F\u00e9lix  que, ser\u00e1 localizado no pr\u00e9dio do INSS, quase do tamanho do CAHL.  Estamos construindo um cinema, construindo laborat\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>JGB<\/strong> &#8211; A  estrutura UFRB em Cruz das Almas lembra um pouco as maiores  universidades estadunidenses. Voc\u00eas est\u00e3o seguindo a ideia de criar uma  cidade universit\u00e1ria?<\/p>\n<p><em><strong>Paulo Soledade<\/strong><\/em> &#8211; Sim. Na verdade, voc\u00ea tem dois padr\u00f5es universit\u00e1rios. O primeiro,  que \u00e9 baseado no modelo norte-americano que \u00e9 esse campus afastado da  cidade, sendo uma cidade universit\u00e1ria efetivamente. Nisso eu diria que o  modelo de Cruz, Amargosa e Santo Ant\u00f4nio de Jesus seguem um pouco esse  padr\u00e3o, mas existe o outro modelo que \u00e9 o da universidade com uma vasta  capilaridade na cidade, sendo que isso ocorre muito nas cidades  hist\u00f3ricas da Europa que \u00e9 o modelo que estamos implantando em  Cachoeira.<\/p>\n<p>A ideia em Cachoeira  nunca foi criar um campus isolado. Mas, um campus que tenha uma  vincula\u00e7\u00e3o firme com o centro hist\u00f3rico, de modo a contribuir com a  recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas predial, mas socioecon\u00f4mica e cultural daquele  s\u00edtio que \u00e9 t\u00e3o maravilhoso e admirado por todo mundo.<\/p>\n<p><strong>JGB<\/strong> &#8211; Este modelo h\u00edbrido encontra similaridade no Brasil?<\/p>\n<p><em><strong>Paulo Soledade<\/strong><\/em> &#8211; Eu diria que no modelo da UFRB n\u00e3o. A UFRB \u00e9 \u00fanica, pois n\u00f3s temos um  modelo multi-campi. Mas os modelos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o distantes, entre  Amargosa e Cachoeira tem-se uma dist\u00e2ncia em torno de 120 Km. Ent\u00e3o \u00e9  poss\u00edvel percorrer Amargosa, Cachoeira, Santo Ant\u00f4nio de Jesus e Cruz  das Almas no mesmo dia, visitando os campis, tendo atividades diversas.<\/p>\n<p>Esse modelo da UFRB,  que se tem um aproveitamento dos sub-espa\u00e7os, para ter uma  especificidade dos campis em cada lugar. Ao mesmo tempo havendo uma  multicampia efetiva, din\u00e2mica, em que as pessoas possam conviver nos  quatro campis. Seguramente a experi\u00eancia na UFRB \u00e9 \u00fanica.<\/p>\n<p><strong>JGB<\/strong> &#8211; Quais s\u00e3o as dificuldades que o senhor encontra por estar iniciando uma universidade?<\/p>\n<p><em><strong>Paulo Soledade<\/strong><\/em> &#8211; As dificuldades s\u00e3o in\u00fameras. Primeiro a grande falta de cultura  institucional. Voc\u00ea n\u00e3o tem essa experi\u00eancia na Bahia de implantar uma  universidade. Isso faz com que voc\u00ea n\u00e3o tenha especialistas nas \u00e1reas de  engenharia, arquitetura, licita\u00e7\u00e3o, compras. Tivemos que formar a nossa  pr\u00f3pria equipe. Isto \u00e9 terr\u00edvel.<\/p>\n<p>Na verdade a UFRB  come\u00e7a com um n\u00famero grande de cursos, professores, servidores  t\u00e9cnico-administrativos que precisam atuar, e ao mesmo tempo construir a  universidade. Isso \u00e9 um desafio enorme. Temos que seguir todos os  processos da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, que s\u00e3o processos compreensivelmente  lentos. Em que temos que princ\u00edpios da impessoalidade, razoabilidade,  da equidade dentre outros. Ent\u00e3o, isso faz com que os processos sejam  mais lentos.<\/p>\n<p>Temos, ent\u00e3o, um  descompasso da velocidade que a comunidade acad\u00eamica requer e a  velocidade que o servi\u00e7o p\u00fablico permite. Esse, talvez, seja o maior  desafio. Eu diria que n\u00f3s somos um exemplo de sucesso.<\/p>\n<p><strong>JGB<\/strong> &#8211; Uma  institui\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria ela n\u00e3o para de ampliar as suas diversas  concep\u00e7\u00f5es. O senhor acredita que nessa primeira fase ser\u00e1 poss\u00edvel  finalizar o projeto inicial? Isso seria quando? Quantos alunos seriam  contemplados com esse projeto?<\/p>\n<p><em><strong>Paulo Soledade<\/strong><\/em> &#8211; A UFRB tem os quatro campi, sendo que no projeto inicial t\u00ednhamos a  proposta de mais tr\u00eas campi, sendo eles em Nazar\u00e9, Santo Amaro e  Valen\u00e7a. O MEC ainda n\u00e3o autorizou a implanta\u00e7\u00e3o desses campis. N\u00f3s  temos uma possibilidade grande da implanta\u00e7\u00e3o do campus de Santo Amaro,  ainda esse ano. O IPHAN (Instituto Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico  Nacional) est\u00e1 apoiando nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existe uma  reivindica\u00e7\u00e3o muito forte do ex-deputado Colbert Martins, do deputado  estadual Z\u00e9 Neto de que a UFRB v\u00e1 para Feira de Santana tamb\u00e9m. Eu acho  que existe uma possibilidade grande nessa dire\u00e7\u00e3o. Mas, eu acredito que o  projeto como est\u00e1 concebido hoje nesses quatro campis, a UFRB deve ter  em torno de 13 mil alunos at\u00e9 2015.<\/p>\n<p><strong>JGB<\/strong> &#8211; Lendo o  livro \u2018UFRB cinco anos: caminhos, hist\u00f3rias e mem\u00f3rias\u2019, eu vejo que o  senhor cita Saramago e ele \u00e9 o \u00fanico pr\u00eamio Nobel para a l\u00edngua  portuguesa que n\u00f3s temos. Assim, o que o senhor pensa da influencia de  Saramago para esta institui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><em><strong>Paulo Soledade<\/strong><\/em> &#8211; Saramago \u00e9 um exemplo de humanidade. Ele tem uma hist\u00f3ria \u00fanica. Uma  pessoa comum, mas com um talento maravilhoso, que consegue construir uma  cultura universalista a partir das suas experi\u00eancias pessoais e eu acho  que isso tem muito haver com a pr\u00f3pria UFRB.<\/p>\n<p>Citamos Saramago, mas  temos um poeta baiano que fala de forma muito precisa que: \u201cquem n\u00e3o \u00e9  rec\u00f4ncavo n\u00e3o pode ser reconvexo\u201d. Esse \u00e9 outro desafio nosso, estar  ligado ao rec\u00f4ncavo, mas n\u00e3o ter que construir uma cultura  universalista, ser reconvexo, tamb\u00e9m. Neste aspecto, Saramago \u00e9 um  grande exemplo e nos seus livros, a gente v\u00ea a dimens\u00e3o do que o homem \u00e9  capaz, tanto de coisas boas e coisas n\u00e3o t\u00e3o boas. Ele \u00e9 um exemplo de  pessoas comuns que acreditam na potencialidade humana e que chega a  extremos muito positivos.<\/p>\n<p><strong>JGB<\/strong> &#8211; O senhor  ainda nos seus textos fala que esta institui\u00e7\u00e3o de ensino tem o papel de  encontrar essa diversidade e fazer uma reinven\u00e7\u00e3o deste homem baiano,  do interior. O que \u00e9 isso? O que significa isso para esse conceito de  universidade?<\/p>\n<p><em><strong>Paulo Soledade<\/strong><\/em> &#8211; Eu diria que a Bahia tem uma caracter\u00edstica muito particular, na  medida em que n\u00f3s temos um estado multidimensional em termos de cidades,  com um territ\u00f3rio extremamente vasto, com uma popula\u00e7\u00e3o muito  diversificada, mas n\u00f3s tivemos um excesso de soteropoliza\u00e7\u00e3o. Na  verdade, a gente concentra muito poder na Bahia. Poder cultural, poder  econ\u00f4mico e social em Salvador e isso faz com que todo o interior da  Bahia, mesmo o interior mais imediato a capital como Feira de Santana, o  rec\u00f4ncavo, tenham pouca capacidade de influenciar nos destinos do  Estado, e mesmo, de ser capaz de construir um projeto de Estado a partir  do local em que a gente est\u00e1.<\/p>\n<p>Salvador \u00e9 uma cidade  maravilhosa. Por muito tempo ela concentrou toda a intelig\u00eancia baiana.  Na medida em que, era natural pessoa ir para estudar l\u00e1. Tivemos o  processo das universidades estaduais que j\u00e1 chega ao seu limite e agora  n\u00f3s temos uma grande potencialidade de criar novas universidades  federais como a UFRB, fazendo com que as intelig\u00eancias do interior  permane\u00e7am no interior, de modo a construir e aumentar o capital social  das suas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, n\u00e3o tenho  d\u00favidas de que esse papel das universidades \u00e9 algo desafiador e a gente  tem orgulho de ter nascido no interior, de ter estudado ali, claro de  ter conhecido o mundo, mas, ter o interior como uma refer\u00eancia positiva.  Eu acho esse um desafio interessante que a UFRB junto com as outras  universidades estaduais, pode-se contribuir muito.<\/p>\n<p><strong>JGB<\/strong> &#8211; O  presidente Lula no discurso de inaugura\u00e7\u00e3o desta universidade em  Cachoeira, ele fala que o maior legado de um pai, de uma m\u00e3e para um  filho ou uma filha \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. Sendo tamb\u00e9m que o maior legado de um  governo \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. Como o senhor avalia o papel do governo Lula no  processo de interioriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior?<\/p>\n<p><em><strong>Paulo Soledade<\/strong><\/em> &#8211; \u00c9 algo impressionante. Na verdade, a grande pergunta que deve se  fazer \u00e9: como n\u00f3s podemos esperar tantos anos para que esse processo se  iniciasse? O presidente Lula determinou de forma categ\u00f3rica essa  interioriza\u00e7\u00e3o. Ele tem uma experi\u00eancia muito concreta de como \u00e9  terr\u00edvel esse processo de migra\u00e7\u00e3o para os grandes centros.<\/p>\n<p>Acho que essa  experi\u00eancia pessoal influ\u00eancia muito na din\u00e2mica de suas pol\u00edticas. N\u00f3s  tivemos cerca de 200 campis criados pelo presidente Lula no interior do  Brasil. Isso muda a geografia e configura\u00e7\u00e3o do ensino superior. Ele  teve um papel fundamental. Ele reconstr\u00f3i o estado brasileiro e ainda  hoje \u00e9 triste v\u00ea uma oposi\u00e7\u00e3o que diz que concurso para servidores  p\u00fablicos incha a m\u00e1quina. Devemos ter um estado forte que d\u00ea conta do  tamanho do Brasil.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 grande,  ent\u00e3o, o estado tem que ser grande n\u00e3o d\u00e1 para comparar o Brasil com  pa\u00edses min\u00fasculos. Nesse aspecto, o presidente Lula deixa um legado  fundamental e eu n\u00e3o tenho d\u00favidas de que na Bahia o seu maior legado  ser\u00e1 a UFRB.<\/p>\n<p><strong>JGB <\/strong>\u2013 Deixo com o senhor a palavra final?<\/p>\n<p><em><strong>Paulo Soledade<\/strong><\/em> &#8211; Gostaria de falar da alegria em conhecer o projeto do Jornal Grande  Bahia, sendo que n\u00e3o \u00e9 comum vermos projetos dessa natureza um trabalho  com independ\u00eancia e intelig\u00eancia. \u00c9 um grande prazer ter contato com  esse projeto e eu espero em breve participar de outros momentos, para  continuar essa conversa t\u00e3o interessante e inteligente.<\/p>\n<p><strong>+ Sobre a UFRB<\/strong><\/p>\n<p>Baixe o\u00a0livro:\u00a0<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/leaf?id=0B4i672D4ZuHsNWMzODZiNTAtMTMwYi00MzdmLWFmYzAtZmU2MWFjM2Q4ZjYw&amp;hl=en\">UFRB 5 anos: Caminhos Hist\u00f3ria e Mem\u00f3rias<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>http:\/\/www.jornalgrandebahia.com.br\/materia.asp?id=28395 18\/03\/2011 &#8211; Jornal Grande Bahia Ao visitar a sede da UFRB (Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia) em Cruz das Almas, para matricular-me no\u00a0Mestrado em Ci\u00eancias Sociais, deparei-me com uma realidade pouco comum ao setor p\u00fablico brasileiro, v\u00e1rios edif\u00edcios modernos, bem projetados e constru\u00eddos, pr\u00e9dios antigos e conservados, o in\u00edcio de uma cidade universit\u00e1ria. 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