{"id":23813,"date":"2012-10-10T12:47:11","date_gmt":"2012-10-10T12:47:11","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/2012\/10\/10\/reitor-analisa-vinculos-entre-tecnologia-e-artes-em-artigo-no-jornal-a-tarde\/"},"modified":"2012-10-10T12:47:11","modified_gmt":"2012-10-10T12:47:11","slug":"reitor-analisa-vinculos-entre-tecnologia-e-artes-em-artigo-no-jornal-a-tarde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/reitor-analisa-vinculos-entre-tecnologia-e-artes-em-artigo-no-jornal-a-tarde\/","title":{"rendered":"Reitor analisa v\u00ednculos entre tecnologia e artes em artigo no Jornal A Tarde"},"content":{"rendered":"<p>O reitor da UFRB, Paulo Gabriel Soledade Nacif, aborda a rela\u00e7\u00e3o entre a tecnologia e as artes\u00a0no Jornal A Tarde, em 08 de outubro de 2012. Segue abaixo texto integral:<\/p>\n<p><strong>ESPET\u00c1CULOS DE INOVA\u00c7\u00c3O<\/strong><br \/><em>Paulo Gabriel Soledade Nacif<\/em><\/p>\n<p>Os v\u00ednculos entre a tecnologia e as artes s\u00e3o facilmente percept\u00edveis. Nossos ancestrais dominaram o fogo por meio do entrechoque de pedras e, tamb\u00e9m assim, podem ter descoberto que diferentes pedras produzem sons diversos. Este talvez tenha sido o in\u00edcio de um processo de inova\u00e7\u00e3o que avan\u00e7ou at\u00e9 a complexidade de um piano ou mesmo \u00e0 m\u00fasica eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos permitiram a Jo\u00e3o Gilberto cantar no limite do sil\u00eancio. Nelson Motta, no livro \u201cNoites Tropicais &#8211; Solos, improvisos e mem\u00f3rias musicais\u201d, ao falar sobre Jo\u00e3o Gilberto e Chet Baker, escreveu que \u201ca tecnologia os libertava da tirania da for\u00e7a vocal e do volume&#8230; Com eles, a m\u00fasica sa\u00eda menos dos pulm\u00f5es e mais do cora\u00e7\u00e3o. Eles eram radicalmente tecnol\u00f3gicos: n\u00e3o existiriam sem o microfone. Nem n\u00f3s sem eles\u201d.<\/p>\n<p>Essas rela\u00e7\u00f5es \u00f3bvias ainda n\u00e3o significaram a conquista de espa\u00e7os capazes de intensificar, dentro dos muros das escolas e universidades, os est\u00edmulos \u00e0 inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e a forma\u00e7\u00e3o de pessoal associadas a essas \u00e1reas. O processo que intensifica a tecnologiza\u00e7\u00e3o das artes, particularmente dos espet\u00e1culos, resulta na necessidade de desenvolvimento de novas especializa\u00e7\u00f5es profissionais. Al\u00e9m da pertin\u00eancia, \u00e9 f\u00e1cil perceber que esse campo tecnol\u00f3gico pode ser categorizado em termos conceituais e metodol\u00f3gicos, condi\u00e7\u00e3o para integrar a academia nas suas indispens\u00e1veis fun\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o (ensino e pesquisa) de conhecimento, bem como no desafio da extens\u00e3o inovadora.<\/p>\n<p>Nesse assunto, temos ainda, em alguma medida, o paradoxo descrito num discurso do Marechal Casimiro Montenegro Filho, criador do ITA (Instituto Tecnol\u00f3gico da Aeron\u00e1utica), sobre a falta de engenheiros no Brasil de 1954: \u201cessa falta&#8230; reflete, em parte, a procura insuficiente, dada a circunst\u00e2ncia de que a conveni\u00eancia da utiliza\u00e7\u00e3o de engenheiros para melhorar a efici\u00eancia nem sempre \u00e9 reconhecida&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>As universidades brasileiras possuem grandes escolas de teatro, cinema, dan\u00e7a e m\u00fasica, mas tais sistemas ainda n\u00e3o s\u00e3o apoiados na intensidade necess\u00e1ria pelos setores tecnol\u00f3gicos. \u00c9 dif\u00edcil de ser interpretada a dist\u00e2ncia que o sistema de educa\u00e7\u00e3o brasileiro guarda desses processos de inova\u00e7\u00e3o. Dizemos isso dada a sua relev\u00e2ncia e, mais importante ainda, \u00e0s suas contribui\u00e7\u00f5es futuras para a organiza\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica do Brasil. Os vigorosos programas de expans\u00e3o das universidades e do ensino t\u00e9cnico do governo federal na \u00faltima d\u00e9cada ainda passam distantes desse debate. O mesmo se pode falar de diversos programas de educa\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dos estados.<\/p>\n<p>Em eventos diversos, \u00e9 comum, interlocutores usarem o carnaval como exemplo da capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o do povo brasileiro. A quest\u00e3o aparece inclusive em atividades sobre tecnologia e inova\u00e7\u00e3o. Mas ser\u00e1 que o carnaval \u00e9 um bom exemplo apenas nesse item? Seguramente, n\u00e3o! \u00c9 poss\u00edvel perceber as escolas de samba e os bumb\u00e1s de Parintins com dimens\u00f5es de empresas de bases tecnol\u00f3gicas? E, falando em carnaval, como ser\u00e3o, no futuro, os trios el\u00e9tricos?  Esta inven\u00e7\u00e3o \u2013 um diferencial da Bahia no mercado de festas mundiais \u2013 possui verdadeiras gera\u00e7\u00f5es que determinam tend\u00eancias. No Cirque Du Soleil, o desempenho estonteante do seu elenco se viabiliza, muitas vezes, por uma surpreendente inven\u00e7\u00e3o de equipamentos capazes de permitir, em cada cena, sensa\u00e7\u00f5es arrebatadoras ao p\u00fablico. Em todos os casos, a produ\u00e7\u00e3o de espet\u00e1culos tem quase sempre como rotina a busca permanente por novos paradigmas tecnol\u00f3gicos que desafiam trajet\u00f3rias anteriores j\u00e1 testadas em todos os campos da cenot\u00e9cnica e da engenharia de espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>Os artistas e a ind\u00fastria do entretenimento fomentam e organizam, cada vez mais, grandes, m\u00e9dios e pequenos espet\u00e1culos teatrais, musicais, cinematogr\u00e1ficos, circenses, entre outros. Nos lugares mais rec\u00f4nditos do pa\u00eds, as popula\u00e7\u00f5es reivindicam o acesso a bens culturais e art\u00edsticos. J\u00e1 \u00e9 hora de ampliarmos os espa\u00e7os garantidos pelas institui\u00e7\u00f5es formadoras a essas demandas. Assim, a cultura brasileira ter\u00e1 os aportes tecnol\u00f3gicos necess\u00e1rios ao seu desenvolvimento e \u00e0s expectativas que se elevam. Temos muitas vantagens comparativas no mercado mundial (agroneg\u00f3cio, avia\u00e7\u00e3o, minera\u00e7\u00e3o, carbono, biodiversidade, \u00e1gua, energia etc.). Dentre elas, n\u00e3o podemos nos esquecer da nossa capacidade de emocionar e humanizar o mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O reitor da UFRB, Paulo Gabriel Soledade Nacif, aborda a rela\u00e7\u00e3o entre a tecnologia e as artes\u00a0no Jornal A Tarde, em 08 de outubro de 2012. 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