{"id":24372,"date":"2013-10-22T14:00:53","date_gmt":"2013-10-22T14:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/2013\/10\/22\/reitor-analisa-multicampia-das-universidades-federais-em-artigo-no-jornal-a-tarde\/"},"modified":"2013-10-22T14:00:53","modified_gmt":"2013-10-22T14:00:53","slug":"reitor-analisa-multicampia-das-universidades-federais-em-artigo-no-jornal-a-tarde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/reitor-analisa-multicampia-das-universidades-federais-em-artigo-no-jornal-a-tarde\/","title":{"rendered":"Reitor analisa multicampia das Universidades Federais em artigo no Jornal A Tarde"},"content":{"rendered":"<p>O reitor da UFRB, Paulo Gabriel Soledade Nacif, aborda a multicampia das Universidades Federais no Jornal A Tarde, em 22 de outubro de 2013. Segue abaixo texto integral:<\/p>\n<p><strong>A MULTICAMPIA DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS<br \/><\/strong><em>Paulo Gabriel Soledade Nacif<\/em><br \/><em>Reitor da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB)<\/em><\/p>\n<p>No Brasil, a multicampia \u00e9 uma resposta \u00e0 necessidade de interioriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior e reafirma uma vis\u00e3o de universidade como instrumento essencial para o desenvolvimento regional. Instalada em mais cidades, a institui\u00e7\u00e3o aproxima a popula\u00e7\u00e3o da cultura universit\u00e1ria, democratiza o conhecimento e distribui recursos materiais e humanos em maiores \u00e1reas de abrang\u00eancia.<\/p>\n<p>O atual ciclo de expans\u00e3o das universidades federais, iniciado em 2005, redefiniu a multicampia porque: a) a multicampia passou a ser a regra do sistema federal (exce\u00e7\u00f5es: UFGD e UFCSPA); b) institui\u00e7\u00f5es rec\u00e9m-criadas nasceram com uma multicampia com um novo arranjo que traz uma distribui\u00e7\u00e3o mais equitativa das for\u00e7as acad\u00eamicas entre os campi.<\/p>\n<p>Com esse processo, pode-se definir a exist\u00eancia de duas categorias de multicampia nas IFES: a) Vertical \u2013 formada por um campus com sede forte e campi menores, sendo que o primeiro concentra a maior parte da for\u00e7a acad\u00eamica; b) Horizontal \u2013 formada por diversos campi com for\u00e7as acad\u00eamica e institucional equilibradas entre eles.<\/p>\n<p>A multicampia horizontal \u00e9 uma experi\u00eancia nova nas IFES, por isso, s\u00e3o muitos os desafios que ela apresenta, afinal, a dispers\u00e3o da capacidade acad\u00eamica, presente nesses casos, determina a necessidade de estrat\u00e9gias especiais que criem condi\u00e7\u00f5es para que as for\u00e7as acad\u00eamicas das unidades descentralizadas se somem, de modo a impor a cultura universit\u00e1ria em todo o sistema.<\/p>\n<p>A multicampia organizada por \u00e1reas de conhecimento, de um lado favorece o estabelecimento de condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de programas mais potentes de ensino, pesquisa e extens\u00e3o, mas, por outro, torna ainda mais restrita as possibilidades de conviv\u00eancia com a diversidade cultural, fundamental para o agu\u00e7amento do senso cr\u00edtico.<\/p>\n<p>Em 1969, Beryl Crowe, cientista pol\u00edtico americano, destacava que a sociedade, com \u00eanfase na diferencia\u00e7\u00e3o e especializa\u00e7\u00e3o, levava a universidade ao desenvolvimento de ilhas de comunidades culturais entre as quais havia pouca comunica\u00e7\u00e3o, grandes disputas, suspeitas, desd\u00e9m e competi\u00e7\u00e3o por recursos escassos. O que mudou desde 1969? De um lado, um avan\u00e7o na compreens\u00e3o epistemol\u00f3gica sobre a interdisciplinaridade, mas por outro lado, avan\u00e7ou-se tamb\u00e9m na diferencia\u00e7\u00e3o e especializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tal situa\u00e7\u00e3o pode tomar propor\u00e7\u00f5es ainda maiores nessa multicampia horizontalizada, caso n\u00e3o haja uma a\u00e7\u00e3o institucional que integre esses campi. Vivenciar a multicampia sem correr o risco de constituir campi culturalmente isolados exige estrat\u00e9gia e disposi\u00e7\u00e3o institucional e coletiva.<\/p>\n<p>Como destacou An\u00edsio Teixeira, a universidade deve construir uma cultura que responda \u00e0s necessidades da civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, promovendo o desenvolvimento das fontes que a integram, dando\u2013lhe sentido humano, por um lado, e novas sendas, por outro. Para An\u00edsio a nova cultura n\u00e3o pode expressar apenas valores da civiliza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, mas deve tamb\u00e9m servir de base para a sua cr\u00edtica e constante reformula\u00e7\u00e3o. A proposta Anisiana destaca ent\u00e3o a miss\u00e3o hist\u00f3rica da universidade como institui\u00e7\u00e3o da cultura.<\/p>\n<p>Para encaminhar essa quest\u00e3o necessitamos de condi\u00e7\u00f5es virtuosas para o desenvolvimento de um ambiente efetivamente universit\u00e1rio e isso significar\u00e1 a necessidade incontorn\u00e1vel da institui\u00e7\u00e3o definir, como princ\u00edpio de sua organiza\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, a utiliza\u00e7\u00e3o intensiva de novas tecnologias de apoio \u00e0 aprendizagem (TAA).<\/p>\n<p>Na Bahia, o uso intensivo de TAA n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ado sem a significativa amplia\u00e7\u00e3o da infraestrutura de acesso a internet: \u00e9 urgente a eleva\u00e7\u00e3o da velocidade de conex\u00e3o de todos os campi universit\u00e1rios para acima de 1 Gbps.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio pensar o processo de consolida\u00e7\u00e3o desse modelo de multicampia horizontal em todos os seus aspectos de ensino, pesquisa, extens\u00e3o e gest\u00e3o, de modo que a &#8220;nova&#8221; universidade federal brasileira que nasce neste in\u00edcio do s\u00e9culo XXI possa construir uma cultura que n\u00e3o superficialize a sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, mas que, ao contr\u00e1rio, fortale\u00e7a o sentido complexo e polif\u00f4nico da aventura humana.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O reitor da UFRB, Paulo Gabriel Soledade Nacif, aborda a multicampia das Universidades Federais no Jornal A Tarde, em 22 de outubro de 2013. 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