{"id":24969,"date":"2014-10-07T12:00:00","date_gmt":"2014-10-07T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/2014\/10\/07\/conferencia-de-kabengele-munanga-encerra-vii-encontro-estadual-de-historia-na-ufrb\/"},"modified":"2014-10-07T12:00:00","modified_gmt":"2014-10-07T12:00:00","slug":"conferencia-de-kabengele-munanga-encerra-vii-encontro-estadual-de-historia-na-ufrb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/conferencia-de-kabengele-munanga-encerra-vii-encontro-estadual-de-historia-na-ufrb\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia de Kabengele Munanga encerra VII Encontro Estadual de Hist\u00f3ria na UFRB"},"content":{"rendered":"<p>A confer\u00eancia do professor Kabengele Munanga sobre a import\u00e2ncia da Hist\u00f3ria da \u00c1frica e do Negro no Brasil marcou o encerramento do VII Encontro Estadual de Hist\u00f3ria, realizado no Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), <i>campus <\/i>de Cachoeira, na \u00faltima sexta-feira, dia 03 de outubro. Nascido no Congo e considerado um dos maiores especialistas em Antropologia Cultural, o professor aposentado pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) foi recebido em sua nova \u201ccasa\u201d, onde ser\u00e1 professor visitante s\u00eanior pela Capes.<\/p>\n<p>O professor de Hist\u00f3ria da \u00c1frica da UFRB, Juvenal de Carvalho, atualmente pr\u00f3-reitor de Planejamento da institui\u00e7\u00e3o, foi o respons\u00e1vel pelas boas-vindas. Carvalho dispensou apresenta\u00e7\u00f5es formais e o definiu como o \u201cvelho s\u00e1bio\u201d Kabengele Munanga. \u201cNa cultura africana, esse vocativo n\u00e3o diz respeito apenas \u00e0 idade. Velho \u00e9 aquele que det\u00e9m o conhecimento\u201d, disse. Munanga agradeceu a apresenta\u00e7\u00e3o do colega e reconheceu: \u201cde fato, sou um velho, mas com o esp\u00edrito jovem que quer aprender e que aprende todos os dias\u201d. Sobre o tema de sua confer\u00eancia, ele defendeu a import\u00e2ncia de conhecer o nosso passado e a origem hist\u00f3rica de express\u00f5es como \u201cidentidade nacional\u201d para propor novas perspectivas.<\/p>\n<p>\u201cTudo \u00e9 hist\u00f3ria e tudo tem hist\u00f3ria. Ao desconsiderar essa premissa, acabamos por tratar todos os temas como quest\u00e3o natural\u201d, afirmou Munanga. Nesse sentido, ele defendeu o reconhecimento das identidades particulares no contexto nacional e a urg\u00eancia de se implantar pol\u00edticas de valoriza\u00e7\u00e3o e respeito \u00e0s diferen\u00e7as atrav\u00e9s de uma pedagogia multicultural. \u201cNa contram\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal homogeneizante, essa \u00e9 uma quest\u00e3o vital no processo de constru\u00e7\u00e3o de uma cidadania duradoura e verdadeira. O Brasil, um pa\u00eds que nasceu justamente do encontro das culturas e civiliza\u00e7\u00f5es, n\u00e3o pode se ausentar desse debate\u201d, disse. Para ele, o melhor caminho \u00e9 o que acompanha a din\u00e2mica da sociedade atrav\u00e9s das suas reivindica\u00e7\u00f5es e n\u00e3o aquele que se refugia numa abordagem superada de mistura racial.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es afirmativas &#8211;<\/strong> Dentre as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, Munanga defende a pol\u00edtica das cotas n\u00e3o apenas no sistema educativo superior, mas em todos os setores da vida nacional. \u201cSem construir a sua identidade racial ou \u00e9tnica, o negro n\u00e3o poder\u00e1 participar do processo de constru\u00e7\u00e3o da democracia e identidade nacional plural em p\u00e9 de igualdade com seus compatriotas\u201d, destaca. Outra grande contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 a corre\u00e7\u00e3o do ensino da Hist\u00f3ria da \u00c1frica e do negro na escola brasileira, que, segundo ele, sempre foi repassado de maneira distorcida, falsificada e preconceituosa. \u201cComo a hist\u00f3ria de todos os povos, a da \u00c1frica tem passado, presente e continuidade. Mais do que isso, sendo a \u00c1frica o ber\u00e7o da humanidade, \u00e9 a partir dela que a hist\u00f3ria come\u00e7a e nela se desenvolveram as grandes civiliza\u00e7\u00f5es\u201d, relembra.<\/p>\n<p><strong>Mem\u00f3ria esquecida \u2013<\/strong> O antrop\u00f3logo afirma que o Brasil levou muito tempo para resgatar a mem\u00f3ria da escravid\u00e3o. Por isso, em sua opini\u00e3o, o abolicionismo se configurou como uma data amb\u00edgua e n\u00e3o uma ruptura, pela sua incapacidade de transformar as desigualdades sociais e dar uma resposta ao racismo que se seguiu. \u201cNo entanto, n\u00e3o devemos fazer confus\u00e3o entre a hist\u00f3ria do problema e o problema da hist\u00f3ria\u201d, pontuou Munanga. Para ele, a quest\u00e3o fundamental n\u00e3o est\u00e1 na ra\u00e7a, que \u00e9 uma classifica\u00e7\u00e3o pseudocient\u00edfica rejeitada pelos pr\u00f3prios cientistas da \u00e1rea biol\u00f3gica. \u201cO n\u00f3 do problema est\u00e1 no racismo que hierarquiza, desumaniza e justifica a discrimina\u00e7\u00e3o existente\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Sobre o evento<\/strong><\/p>\n<p>Promovido pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Hist\u00f3ria &#8211; se\u00e7\u00e3o Bahia (ANPUH-Ba) em parceria com a UFRB, o VII Encontro Estadual de Hist\u00f3ria teve in\u00edcio no dia 30 de setembro, com o tema \u201cDi\u00e1logos da Hist\u00f3ria\u201d. Para o coordenador geral do evento, professor Fabr\u00edcio Lyrio Santos, a palestra de Kabengele Munanga foi um dos momentos mais aguardados da programa\u00e7\u00e3o que reuniu mais de mil inscritos. \u201cN\u00e3o tenho a menor d\u00favida de que este evento trouxe uma contribui\u00e7\u00e3o fundamental para o processo de consolida\u00e7\u00e3o da UFRB tanto em n\u00edvel regional quanto nacional\u201d, afirmou. &nbsp;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a confer\u00eancia de Munanga, foi realizada a mesa redonda &#8220;Mem\u00f3rias e Ditaduras&#8221; sobre os 50 anos do golpe militar no Brasil, com a presen\u00e7a do professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Rogrigo Motta, atual presidente da ANPUH-Brasil. Ainda na oportunidade, tomou posse a nova diretoria da ANPUH-Ba, tendo na presid\u00eancia o professor da UFRB S\u00e9rgio Guerra Filho.&nbsp;<\/p>\n<p>{gallery}noticias2014\/conferencia-kabengele-encontro{\/gallery}<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A confer\u00eancia do professor Kabengele Munanga sobre a import\u00e2ncia da Hist\u00f3ria da \u00c1frica e do Negro no Brasil marcou o encerramento do VII Encontro Estadual de Hist\u00f3ria, realizado no Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), campus de Cachoeira, na \u00faltima sexta-feira, dia 03 de outubro. 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