{"id":28241,"date":"2019-02-25T12:02:42","date_gmt":"2019-02-25T12:02:42","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/2019\/02\/25\/doutoranda-da-ufrb-detecta-pela-primeira-vez-virus-em-abelhas-nativas-do-brasil\/"},"modified":"2019-02-25T12:02:42","modified_gmt":"2019-02-25T12:02:42","slug":"doutoranda-da-ufrb-detecta-pela-primeira-vez-virus-em-abelhas-nativas-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/doutoranda-da-ufrb-detecta-pela-primeira-vez-virus-em-abelhas-nativas-do-brasil\/","title":{"rendered":"Doutoranda da UFRB detecta pela primeira vez v\u00edrus em abelhas nativas do Brasil"},"content":{"rendered":"<figure><figcaption>Abelha Janda\u00edra (Melipona Subnitida). Cr\u00e9dito: F\u00e1bia Pereira\/Embrapa Meio Norte.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O V\u00edrus das Asas Deformadas, respons\u00e1vel pelo massivo decl\u00ednio de col\u00f4nias de abelhas nos Estados Unidos e pa\u00edses europeus nas \u00faltimas d\u00e9cadas, foi detectado pela primeira vez em abelhas sem ferr\u00e3o no Brasil, segundo um novo estudo <a href=\"https:\/\/jgv.microbiologyresearch.org\/content\/journal\/jgv\/10.1099\/jgv.0.001206#tab2\">publicado em janeiro deste ano na revista cient\u00edfica <em>Journal of General Virology<\/em><\/a> e premiado no Reino Unido. A descoberta \u00e9 de autoria da doutoranda em Ci\u00eancias Agr\u00e1rias pela Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), Flaviane Souza, em parceria com a Universidade de Salford.<\/p>\n<p>A pesquisa envolveu a esp\u00e9cie de abelha nativa sem ferr\u00e3o <em>Melipona subnitida<\/em>, popularmente conhecida como Janda\u00edra, e os resultados revelaram que 100% das col\u00f4nias avaliadas possu\u00edam o v\u00edrus deformador das asas das abelhas (DWV, devido \u00e0 sigla em ingl\u00eas). O estudo foi conduzido durante o per\u00edodo de maio de 2017 a dezembro de 2018 nos estados do Nordeste, a \u00e1rea de ocorr\u00eancia natural da <em>M. subnitida<\/em>, e na ilha de Fernando de Noronha, onde estas abelhas foram introduzidas h\u00e1 30 anos pela a\u00e7\u00e3o do homem e sobrevivem isoladas desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEste estudo fornece o primeiro relato para ocorr\u00eancia do DWV em abelhas nativas brasileiras. Outros estudos j\u00e1 foram conduzidos aqui no Brasil e na Argentina com abelhas sem ferr\u00e3o, sem, contudo, detectarem a presen\u00e7a viral. Agora podemos dizer que esse v\u00edrus \u00e9 mundial\u201d, diz Flaviane, que tamb\u00e9m atua na UFRB como T\u00e9cnica de Laborat\u00f3rio na \u00e1rea de Biologia e \u00e9 a principal autora do estudo.&nbsp;<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-28238\" src=\"http:\/\/ufrb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/flaviane-laboratorio-78a.png\" alt=\"A pesquisa foi realizada entre maio de 2017 e dezembro de 2018\" title=\"A pesquisa foi realizada entre maio de 2017 e dezembro de 2018\" width=\"746\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/02\/flaviane-laboratorio-78a.png 746w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/02\/flaviane-laboratorio-78a-300x158.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 746px) 100vw, 746px\" \/><figcaption>A pesquisa detectou os tipos virais A e C, este \u00faltimo ainda raro e considerado mortal para a esp\u00e9cie.&nbsp;<\/figcaption><\/figure>\n<p>O v\u00edrus DWV teve seus primeiros registros na \u00c1sia em meados dos anos de 1970 e de l\u00e1 se espalhou pela Europa e Am\u00e9rica do Norte no inverno de 2006-2007, num fen\u00f4meno que ficou conhecido como CCD (<em>Colony Collapse Disorder) <\/em>ou S\u00edndrome do Colapso de Desordem da Col\u00f4nia. O decl\u00ednio das abelhas iniciou-se com a associa\u00e7\u00e3o do DWV com o \u00e1caro <em>Varroa destructor<\/em>, um g\u00eanero que se alimenta das larvas de abelhas, e, de acordo com os especialistas, transformou-se numa pandemia mundial por meio do com\u00e9rcio e transporte de abelhas para a poliniza\u00e7\u00e3o de culturas.<\/p>\n<p>\u201cApesar dos n\u00fameros alarmantes, n\u00e3o t\u00ednhamos registros desse v\u00edrus ou suas formas de danos no Brasil. Em geral, as col\u00f4nias brasileiras sofrem perdas devido \u00e0 falta de manejo, desmatamento, avan\u00e7o da agricultura, uso de pesticida, dentre outros\u201d, explica Flaviane. O objetivo de sua pesquisa foi, ent\u00e3o, descobrir se havia a ocorr\u00eancia do DWV nas abelhas nativas no pa\u00eds, quais as variantes (tipos A, B e C) e sua carga viral. Segundo a bi\u00f3loga, foram escolhidas abelhas t\u00edpicas do Nordeste, a fim de contribuir com o fortalecimento das esp\u00e9cies regionais.<\/p>\n<p>Ela usou a t\u00e9cnica da transcriptase reversa com PCR em tempo real, que acessa o material gen\u00e9tico do v\u00edrus que est\u00e1 dentro da abelha e amplia sua quantidade para a realiza\u00e7\u00e3o dos testes. Como resultados foram encontrados os tipos virais A e C, estando a variante B ausente. Para a \u00e1rea amostral do continente, a variante tipo A foi a dominante, sendo ultrapassada pelo tipo C apenas em alguns lugares. Para a ilha, o tipo A foi sempre dominante, prevalecendo superior a 90%. \u201cA domin\u00e2ncia do tipo A reflete a mesma situa\u00e7\u00e3o encontrada nos EUA, embora l\u00e1 o tipo B pare\u00e7a estar substituindo lentamente as demais\u201d, afirma Flaviane. \u201cJ\u00e1 o tipo C foi recentemente descoberto, ent\u00e3o pouco se conhece ainda sobre esta variante\u201d, explica.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-28239\" src=\"http:\/\/ufrb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/apresentacao-abep-d2f.png\" alt=\"Gr\u00e1fico Detec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus das Asas Deformadas (DWV) em abelhas brasileiras sem ferr\u00e3o\" title=\"Gr\u00e1fico Detec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus das Asas Deformadas (DWV) em abelhas brasileiras sem ferr\u00e3o\" width=\"746\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/02\/apresentacao-abep-d2f.png 746w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/02\/apresentacao-abep-d2f-300x158.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 746px) 100vw, 746px\" \/><figcaption>Gr\u00e1fico: Detec\u00e7\u00e3o do V\u00edrus das Asas Deformadas (DWV) em abelhas brasileiras sem ferr\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O professor Stephen J. Martin, da Universidade de Salford, um dos colaboradores da pesquisa e uma das refer\u00eancias mundiais em insetos sociais, como abelhas, cupins e formigas, relata que, at\u00e9 o momento, mais de 60 esp\u00e9cies de insetos e cinco esp\u00e9cies de aranhas e \u00e1caros foram infectadas com o v\u00edrus DWV associado \u00e0 abelha. \u201cA pesquisa de Flaviane detectou que existem abelhas no Brasil infectadas com a rara cepa C do v\u00edrus, que acredita-se ser mortal para esta esp\u00e9cie. Ent\u00e3o, agora, \u00e9 importante determinar se o DWV est\u00e1 causando impacto na flora e fauna local, reduzindo o n\u00famero de polinizadores\u201d, diz.<\/p>\n<p>Os primeiros resultados do estudo foram descritos no artigo <em>Occurrence of deformed wing virus variants in the stingless bee Melipona subnitida and honey bee Apis mellifera populations in Brazil<\/em>, <a href=\"https:\/\/jgv.microbiologyresearch.org\/content\/journal\/jgv\/10.1099\/jgv.0.001206#tab2\">publicado na edi\u00e7\u00e3o de janeiro do <em>Journal of General Virology<\/em><\/a>, da <em>Microbiology Society<\/em>. A pesquisa com o t\u00edtulo <em>Detection of Deformed Wing Virus (DWV) in Brazilian stingless bees<\/em> tamb\u00e9m foi <a href=\"https:\/\/abep.org.uk\/2018\/03\/16\/x-conferencia-abep-uk-best-presentation-winners\/\">premiada em primeiro lugar<\/a> na categoria <em>3 Minutes Thesis Competition<\/em> durante a X Confer\u00eancia da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudantes de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisadores no Reino Unido (Abep-UK), evento realizado na Embaixada do Brasil em Londres.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-28240\" src=\"http:\/\/ufrb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/evento-abep2-84a.jpg\" alt=\"Flaviane durante apresenta\u00e7\u00e3o na X ABEP-UK, em Londres\" title=\"Flaviane durante apresenta\u00e7\u00e3o na X ABEP-UK, em Londres\" width=\"746\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/02\/evento-abep2-84a.jpg 746w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/02\/evento-abep2-84a-300x158.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 746px) 100vw, 746px\" \/><figcaption>Flaviane Souza durante apresenta\u00e7\u00e3o na X ABEP-UK, na Embaixada do Brasil em Londres.&nbsp;<\/figcaption><\/figure>\n<p>O pr\u00f3-reitor de Pesquisa, P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o, Cria\u00e7\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o da UFRB e orientador do estudo, professor Carlos Alfredo Lopes de Carvalho, comemora estes resultados que contribuem no diagn\u00f3stico do atual estado da sa\u00fade das abelhas sociais no Brasil, notadamente as patologias associadas aos melipon\u00edneos. Al\u00e9m disso, Carvalho acredita que o estudo coloca a Universidade em posi\u00e7\u00e3o de destaque na linha de pesquisa em sa\u00fade das abelhas, na qual outros trabalhos est\u00e3o sendo realizados no \u00e2mbito do Grupo de Pesquisa Insecta do Centro de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, Biol\u00f3gicas e Ambientais (CCAAB) da UFRB, tanto no Programa de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias quanto no Programa de Ci\u00eancia Animal.<\/p>\n<p>\u201cA parceria com o professor Stephen J. Martin, viabilizada por meio do programa de Professor Visitante Especial (PVE) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), possibilitou a cria\u00e7\u00e3o desta linha de pesquisa que j\u00e1 beneficiou a forma\u00e7\u00e3o de diversos estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de est\u00e1gios p\u00f3s-doutorais para pesquisadores e de est\u00e1gio sandu\u00edche para doutorandos da UFRB na Universidade de Salford. Trata-se de um projeto exitoso que possibilitou a internacionaliza\u00e7\u00e3o dos docentes e discentes da UFRB envolvidos, como \u00e9 o caso da Flaviane\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O trabalho com o v\u00edrus DWV tamb\u00e9m contou com a orienta\u00e7\u00e3o da professora da UFRB, Maria Ang\u00e9lica Costa, especialista em melhoramento gen\u00e9tico e biotecnologia, e teve ainda o apoio da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) e do CNPq, pelos respectivos programas de bolsas de Doutorado Sandu\u00edche no Exterior. A defesa da tese de Flaviane est\u00e1 prevista para julho deste ano no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Agr\u00e1rias da UFRB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abelha Janda\u00edra (Melipona Subnitida). Cr\u00e9dito: F\u00e1bia Pereira\/Embrapa Meio Norte. 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