{"id":28276,"date":"2019-03-12T18:50:44","date_gmt":"2019-03-12T18:50:44","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/2019\/03\/12\/edufrb-lanca-ser-baiano-na-medida-do-reconcavo\/"},"modified":"2019-03-12T18:50:44","modified_gmt":"2019-03-12T18:50:44","slug":"edufrb-lanca-ser-baiano-na-medida-do-reconcavo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/edufrb-lanca-ser-baiano-na-medida-do-reconcavo\/","title":{"rendered":"EDUFRB publica livro Ser Baiano na Medida do Rec\u00f4ncavo, do professor Diniz"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-28275\" src=\"http:\/\/ufrb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/livro-ser-baiano-materia-5ec.png\" alt=\"\" align=\"right\" width=\"300\" height=\"444\" srcset=\"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/03\/livro-ser-baiano-materia-5ec.png 300w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/03\/livro-ser-baiano-materia-5ec-203x300.png 203w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O que \u00e9 ser baiano? E baiano na medida do Rec\u00f4ncavo?&nbsp;<\/p>\n<p>Para responder a esse processo de forma\u00e7\u00e3o de identidade, o jornalista, professor e pesquisador Jos\u00e9 P\u00e9ricles Diniz, estudou o jornalismo regional, especificamente a localidade de Cachoeira, por seu pioneirismo e intensa produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica, sobretudo a partir do S\u00e9culo XIX e at\u00e9 a primeira metade do S\u00e9culo XX, atr\u00e1s de respostas.<\/p>\n<p>Desse estudo, nasceu a tese de seu doutoramento em Cultura e Sociedade, na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o livro f\u00edsico e digital <a href=\"https:\/\/www1.ufrb.edu.br\/editora\/titulos-publicados\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Ser baiano na medida do rec\u00f4ncavo<\/em>, publicado e reproduzido pela Editora da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (EDUFRB<\/a><a href=\"https:\/\/www1.ufrb.edu.br\/editora\/titulos-publicados\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">)<\/a>. O livro f\u00edsico custa R$ 30,00 (trinta reais) e est\u00e1 dispon\u00edvel na sede da EDUFRB, em espa\u00e7o localizado na Biblioteca Central, Campus Cruz das Almas.<\/p>\n<p>Diniz tamb\u00e9m \u00e9 autor do livro <em>O Jornal na Escola<\/em>, financiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB). O livro \u00e9 parte integrante e importante de sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Educa\u00e7\u00e3o, pela UFBA.<\/p>\n<p>Para este <em>Ser baiano na medida do rec\u00f4ncavo<\/em>, contendo 252 p\u00e1ginas, Diniz iniciou o levantamento de informa\u00e7\u00f5es pelo ano de 1823 \u2013 quando surgiu o primeiro jornal impresso em uma localidade do interior da Bahia, <em>O Independente Constitucional<\/em>, da cidade de Cachoeira \u2013 at\u00e9 pelo menos o encerramento do ciclo da cana-de-a\u00e7\u00facar, entre o final do S\u00e9culo XIX e a primeira metade do s\u00e9culo passado. Estudou as p\u00e1ginas de 28 peri\u00f3dicos de diferentes matrizes ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>O objetivo foi levantar, na trajet\u00f3ria destes peri\u00f3dicos, as principais influ\u00eancias \u00e0 constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que permeia aquilo que est\u00e1 escrito, inspirando e orientando a forma\u00e7\u00e3o da identidade baiana e, principalmente, do Rec\u00f4ncavo.<\/p>\n<p>Diniz reconhece que \u201cpara analisar a produ\u00e7\u00e3o discursiva da imprensa n\u00e3o se deve, portanto, deixar de considerar a sua condi\u00e7\u00e3o institucional de poder, o seu lugar de fala\u201d.<\/p>\n<p>Com o recorte espacial dos peri\u00f3dicos cachoeiranos, no per\u00edodo de 1832 at\u00e9 1946, Diniz buscou identificar e levantar na trajet\u00f3ria dos ve\u00edculos da imprensa peri\u00f3dica regional as influ\u00eancias mais significativas na forma\u00e7\u00e3o da identidade sociocultural do Rec\u00f4ncavo da Bahia, buscando estabelecer como foi articulado historicamente o discurso predominante, em suas dimens\u00f5es pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, bem como demonstrar como essa imprensa efetivamente participa desse processo de produ\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es e de sentidos.<\/p>\n<p>\u201cNos peri\u00f3dicos impressos \u00e9 poss\u00edvel encontrar os temas e problemas mais caros e urgentes para dado per\u00edodo hist\u00f3rico\u201d, destaca Diniz, que exerceu as fun\u00e7\u00f5es de revisor (1985), rep\u00f3rter (1985 a 1991), chefe da Sucursal Rec\u00f4ncavo (1991 a 2003), chefe da Sucursal Metropolitana (2003 a 2004), editor e rep\u00f3rter especial (2004 a 2005) do jornal <em>A Tarde.<\/em><\/p>\n<p>Ao selecionar e classificar para an\u00e1lise uma mostra significativa daquilo que foi veiculado na imprensa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, legitima\u00e7\u00e3o e refor\u00e7o de representa\u00e7\u00f5es sociais, atribui\u00e7\u00e3o de valores ou cristaliza\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos, \u00e9 poss\u00edvel compreender como foram configurados e articulados ideologicamente os discursos destinados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da identidade regional.<\/p>\n<p>Diniz aponta que a pr\u00f3pria imprensa \u00e9 de import\u00e2ncia sociocultural inquestion\u00e1vel para o desenvolvimento daquilo que o organismo midi\u00e1tico nacional convencionou chamar de baianidade, bem como seus arqu\u00e9tipos t\u00e3o difundidos pelo turismo e atrav\u00e9s de produtos como a m\u00fasica, a literatura, o humor e at\u00e9 mesmo a chamada cr\u00edtica social veiculada atrav\u00e9s dos artigos e editoriais desta mesma imprensa.<\/p>\n<p>Para ele, \u00e9 preciso propor e defender a tese de que o discurso jornal\u00edstico \u00e9, efetivamente, um instrumento t\u00e3o eficaz e influente quanto \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es, as pr\u00e1ticas culturais e formais de ensino na forma\u00e7\u00e3o de valores e no estabelecimento de no\u00e7\u00f5es como cidadania, urbanidade, progresso ou nacionalismo.<\/p>\n<p><strong>Tra\u00e7os culturais<\/strong><\/p>\n<p>Estudando o per\u00edodo hist\u00f3rico destacado, o autor, diz que \u201caqui, as palavras-chave para decifrar as motiva\u00e7\u00f5es que alimentam t\u00e3o efusivas m\u00e1goas contra o pr\u00f3prio local de nascimento est\u00e3o enumeradas entre aquilo que a Bahia n\u00e3o pouparia ou respeitaria, principalmente nome, posi\u00e7\u00e3o e reputa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Afinal, quem os tem s\u00e3o aqueles detentores de algo sobre o qual possa cair a inveja e a intriga dos tais guerrilheiros, aqueles covardes que maldizem, especulam e dilaceram justamente por n\u00e3o terem fam\u00edlia (no sentido de ber\u00e7o, de proced\u00eancia, heran\u00e7a), n\u00e3o terem poder (cargo p\u00fablico, ascens\u00e3o, hierarquia) e n\u00e3o terem o respeito (celebridade, gl\u00f3ria, honra) dos seus pares.<\/p>\n<p>Por fim, cabe a considera\u00e7\u00e3o de que tal heran\u00e7a \u2013 de que as coisas na Bahia s\u00e3o diferentes, em geral piores, embora tamb\u00e9m melhores que a dos outros, quando conveniente \u2013 permanece arraigada, legitimada e reproduzida insistentemente pela estrutura midi\u00e1tica at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Tal qual as queixas de lideran\u00e7as empresariais, pol\u00edticas, intelectuais e art\u00edsticas contra uma certa ingratid\u00e3o da Bahia para com os seus expoentes. Al\u00e9m desta tend\u00eancia em ser ingrata para com os seus filhos ilustres, a \u00f3tica de grande parte dos redatores cachoeiranos do S\u00e9culo XIX tamb\u00e9m acusa a Bahia de padecer de determinados problemas relacionados \u00e0s voca\u00e7\u00f5es e aptid\u00f5es naturais do seu povo.<\/p>\n<p>O livro demonstra claramente como foram constru\u00eddas, \u201catrav\u00e9s das p\u00e1ginas dos mais importantes peri\u00f3dicos cachoeiranos de um per\u00edodo bastante extenso que vai do ano de 1832 at\u00e9 1946, arqu\u00e9tipos e estere\u00f3tipos como do povo festivo, por\u00e9m pregui\u00e7oso e carente de um l\u00edder, fruto de uma mesti\u00e7agem que inclui ainda a morena sedutora e o mulato pachola\u2019.<\/p>\n<p>Todos enredados em um rol de refer\u00eancias, estigmas e preconceitos que mais tarde seriam fartamente utilizados tanto pelas narrativas liter\u00e1rias e musicais \u2013 como os romances de Jorge Amado e os sucessos radiof\u00f4nicos de Dorival Caymmi \u2013 quanto pelos personagens de humor, do cinema e da televis\u00e3o, com a inten\u00e7\u00e3o de vender produtos, apelos tur\u00edsticos ou mesmo manipula\u00e7\u00f5es de cunho pol\u00edtico-populistas os mais diversos.<\/p>\n<p>Como estas conclus\u00f5es evidenciam, todos eles est\u00e3o l\u00e1, o mulato pachola, a morena sedutora e o preto pregui\u00e7oso, estereotipados nas p\u00e1ginas da imprensa regional cachoeirana.<\/p>\n<p>Para a identidade baiana, esses peri\u00f3dicos ajudaram a \u201cdemarcar e afirmar a medida do baiano enquanto povo indolente e mesti\u00e7o, musical, hospitaleiro e festivo, embora ingrato e governado por ladr\u00f5es\u201d e relegando, ainda, a explorar um eventual potencial tur\u00edstico ou em promover ou valorizar a identidade cultural ou o patrim\u00f4nio musical, culin\u00e1rio, art\u00edstico nas p\u00e1ginas dos jornais daqueles anos.<\/p>\n<p>\u201cDe fato, produzidas pelos redatores de jornais cachoeiranos desde as primeiras d\u00e9cadas do S\u00e9culo XIX, s\u00e3o recorrentes e eloquentes ideias de Bahia e de ser baiano. Ou seja, no\u00e7\u00f5es constru\u00eddas e legitimadas de como deve ser e se comportar os indiv\u00edduos do Rec\u00f4ncavo, como sementes daquilo que mais tarde seria definido como baianidade\u201d, define o autor.<\/p>\n<p><strong>Peri\u00f3dicos pesquisados<\/strong><\/p>\n<p>O autor selecionou os jornais de maior destaque, a partir de par\u00e2metros como a periodicidade, formato e tiragem at\u00e9 a sua longevidade, o tempo em que esteve em circula\u00e7\u00e3o, abrang\u00eancia, influ\u00eancia pol\u00edtica ou algum detalhe curioso ou peculiar em sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p>O levantamento de tais caracter\u00edsticas, complementado e enriquecido com testemunhos e relatos de \u00e9poca, certamente forneceu pistas seguras para balizar a efetiva abrang\u00eancia e poder pol\u00edtico de cada publica\u00e7\u00e3o. Desse recorte foram pesquisados O Recopilador Cachoeirense (1832), O Constitucional Cachoeirano (1837), O Paraguassu (1847), O Povo Cachoeirano (1849), O Argos Cachoeirano (1850), A Voz da Mocidade (1850), O Almotac\u00e9 (1850), O Vinte e Cinco de Junho (1853), Jornal da Cachoeira (1855), O Progresso (1860), O Americano (1867), A Formiga (1869), A Grinalda (1869), A Ordem (1870), Sentinella da Liberdade (1870), Echo Popular (1874), A Verdade (1876), O Guarany (1877), O Futuro (1878), O Santelmo (1880), Di\u00e1rio da Cachoeira (1880), Echo do Povo (1881), A Imprensa (1884), O Brazil (1886), O Tempo (1887), O Republicano (1890), A Cachoeira (1896) e Pequeno Jornal (1912).<\/p>\n<p>Leia essa e outras publica\u00e7\u00f5es em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.ufrb.edu.br\/editora\/titulos-publicados\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www1.ufrb.edu.br\/editora\/titulos-publicados<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 ser baiano? 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