{"id":28356,"date":"2019-04-16T13:25:18","date_gmt":"2019-04-16T13:25:18","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/2019\/04\/16\/universidades-publicas-respondem-por-mais-de-95-da-producao-cientifica-do-brasil\/"},"modified":"2019-04-16T13:25:18","modified_gmt":"2019-04-16T13:25:18","slug":"universidades-publicas-respondem-por-mais-de-95-da-producao-cientifica-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/universidades-publicas-respondem-por-mais-de-95-da-producao-cientifica-do-brasil\/","title":{"rendered":"Universidades p\u00fablicas respondem por mais de 95% da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Quem minimamente acompanha a quest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil e do financiamento da pesquisa em ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o sabe que, ao lado da meta t\u00e3o longamente sonhada da aplica\u00e7\u00e3o de 2% do PIB no setor, um bom equil\u00edbrio entre investimentos p\u00fablicos e privados nessas atividades constitui o segundo grande objeto de desejo de boa parte dos estrategistas e gestores da \u00e1rea \u2013 al\u00e9m, \u00e9 claro, da parcela da comunidade cient\u00edfica nacional bem antenada \u00e0s pol\u00edticas de CT&amp;I.<\/p>\n<p>Isso se apresentou desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, na segunda metade dos anos 1980. O espelho em que todos miravam era obviamente o das na\u00e7\u00f5es mais desenvolvidas. O pensamento que ent\u00e3o se espraiava, muito distante de recent\u00edssimas tenta\u00e7\u00f5es obscurantistas, era o de que o desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico constitu\u00eda condi\u00e7\u00e3o sine qua para um verdadeiro desenvolvimento socioecon\u00f4mico e para a implanta\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o Brasil andava ali pela casa de pouco mais de 0,7% do PIB em investimentos totais em ci\u00eancia e tecnologia e a participa\u00e7\u00e3o do setor privado, quer dizer, de empresas, ressalte-se, nesse bolo, mal ultrapassava a marca de 20%. De l\u00e1 para c\u00e1, o pa\u00eds fez uma reviravolta nesses n\u00fameros, avan\u00e7ou muito, e pode-se mesmo dizer que cresceu espetacularmente, quando a m\u00e9trica \u00e9 o volume de artigos cient\u00edficos indexados em bases de dados internacionais, um indicador mundialmente consagrado. Essa produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica praticamente dobrou do come\u00e7o para o fim da primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI. E continuou sua ascens\u00e3o consistente (dados dispon\u00edveis at\u00e9 2016).<\/p>\n<p>A expans\u00e3o not\u00e1vel, fruto de algumas pol\u00edticas muito bem estruturadas que est\u00e3o a merecer outros coment\u00e1rios no Ci\u00eancia na rua, foi baseada na capacidade de produzir ci\u00eancia das universidades p\u00fablicas brasileiras, com a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ou seja, duas grandes universidades estaduais paulistas, mais algumas grandes universidades federais, como a do Rio de Janeiro (UFRJ), a de Minas Gerais (UFMG) e a do Rio Grande do Sul (UFRGS), na lideran\u00e7a desse processo. Mais de 95% dessa produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do Brasil nas bases internacionais deve-se, assim, \u00e0 capacidade de pesquisa de suas universidades p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Da\u00ed o espanto que causou a seguinte afirma\u00e7\u00e3o do presidente da Rep\u00fablica durante entrevista \u00e0 r\u00e1dio Jovem Pan, na noite da segunda-feira, 8 de abril:<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) e nas universidades, voc\u00ea vai na quest\u00e3o da pesquisa, voc\u00ea n\u00e3o tem, poucas universidades t\u00eam pesquisa, e, dessas poucas, a grande parte t\u00e1 na iniciativa privada, como a Mackenzie em S\u00e3o Paulo, quando trata do grafeno\u201d.<\/p>\n<p><strong>A resposta da Academia Brasileira de Ci\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>A primeira e tranquila rea\u00e7\u00e3o do presidente da Academia Brasileira de Ci\u00eancias, Luiz Davidovich, f\u00edsico, professor da UFRJ, pesquisador dos mais respeitados por seus brilhantes trabalhos em emaranhamento qu\u00e2ntico, foi observar que \u201c\u00e9 importante fornecer ao Presidente da Rep\u00fablica a informa\u00e7\u00e3o correta sobre as universidades brasileiras, coletadas por \u00f3rg\u00e3os internacionais\u201d<\/p>\n<p>Relata em seguida que, \u201cde acordo com recente publica\u00e7\u00e3o feita por Clarivate Analytics a pedido da CAPES, o Brasil, no periodo de 2011-2016, publicou mais de 250.000 artigos na base de dados Web of Science em todas as \u00e1reas do conhecimento, correspondendo \u00e0 13a posi\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica global (mais de 190 pa\u00edses)\u201d. As \u00e1reas de maior impacto, prossegue, \u201ccorrespondem a agricultura, medicina e sa\u00fade, f\u00edsica e ci\u00eancia espacial, psiquiatria, e odontologia, entre outras\u201d.<\/p>\n<p>Davidovich ressalta que \u201ctodos os estados brasileiros est\u00e3o representados\u201d nessa produ\u00e7\u00e3o, \u201co que mostra uma evolu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a per\u00edodos anteriores e o papel preponderante desempenhado pelas universidades p\u00fablicas que est\u00e3o presentes em todos os estados\u201d.<\/p>\n<p>Outro ponto fundamental de sua fala: \u201cMais de 95% das publica\u00e7\u00f5es referem-se \u00e0s universidades p\u00fablicas, federais e estaduais. O artigo lista as 20 universidades que mais publicam (5 estaduais e 15 federais), das quais 5 est\u00e3o na regi\u00e3o Sul, 11 na regi\u00e3o Sudeste, 2 na regi\u00e3o Nordeste e 2 na Centro-Oeste\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.andifes.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tabela-pesquisa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.andifes.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/tabela-pesquisa.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"578\" \/><\/a><\/p>\n<p>Essas publica\u00e7\u00f5es, destaca o presidente da ABC, \u201cest\u00e3o associadas a pesquisas que beneficiam a popula\u00e7\u00e3o brasileira e contribuem para a riqueza nacional. Gra\u00e7as a essas pesquisas, o petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal representa atualmente mais de 50% do petr\u00f3leo produzido no pa\u00eds, a agricultura brasileira sofisticou-se e aumentou sua produtividade, epidemias, como a do v\u00edrus da zika, s\u00e3o enfrentadas por grupos cient\u00edficos de grande qualidade, novos f\u00e1rmacos s\u00e3o produzidos, alternativas energ\u00e9ticas s\u00e3o propostas, novos materiais s\u00e3o desenvolvidos e empresas brasileiras obt\u00eam protagonismo internacional em diversas \u00e1reas de alto conte\u00fado tecnol\u00f3gico, como cosm\u00e9ticos, compressores e equipamentos el\u00e9tricos\u201d.<\/p>\n<p><strong>A realidade que os dados mostram<\/strong><\/p>\n<p>Coordenador do projeto M\u00e9tricas, da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), o professor Jacques Marcovich, ex-reitor da USP (1997-2001), enviou a pedido do Ci\u00eancia na rua duas tabelas tamb\u00e9m muito reveladoras da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica das universidades brasileiras. A primeira, baseada no Leiden Ranking, \u201cmostra que das 20 universidades que mais publicam no Brasil, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma privada\u201d, ele comentou.<\/p>\n<p>A segunda, modificada do cap\u00edtulo de autoria de Solange Santos na obra coletiva Repensar a Universidade (Repensar a universidade: desempenho acad\u00eamico e compara\u00e7\u00f5es internacionais, organizado por Jacques Marcovitch, 256 pp, S\u00e3o Paulo, ComArte, 2018, dispon\u00edvel para download), mostra resultados de todas as universidades no Brasil em rankings internacionais e, ele observa, \u201caparecem apenas as PUCs em termos de privadas, e em posi\u00e7\u00f5es relativamente baixas\u201d.<\/p>\n<p>Uma terceira tabela, mais extensa e bastante atualizada, foi obtida pelo diretor cient\u00edfico da Fapesp, professor Carlos Henrique de Brito Cruz, a partir da base de dados Incites. O que ele observa \u00e9 que, \u201cdas 100 universidades brasileiras que mais publicaram artigos cient\u00edficos no quinqu\u00eanio 2014-2018, h\u00e1 17 privadas. A melhor colocada \u00e9 a PUC Paran\u00e1, em 37\u00ba lugar\u201d.<\/p>\n<p><em>Artigo de Mariluce Moura, publicado em 11 de abril no Ci\u00eancia na Rua<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem minimamente acompanha a quest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil e do financiamento da pesquisa em ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o sabe que, ao lado da meta t\u00e3o longamente sonhada da aplica\u00e7\u00e3o de 2% do PIB no setor, um bom equil\u00edbrio entre investimentos p\u00fablicos e privados nessas atividades constitui o segundo grande objeto de desejo de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":28355,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-28356","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28356","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28356"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28356\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28355"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}