{"id":28379,"date":"2019-04-24T12:37:21","date_gmt":"2019-04-24T12:37:21","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/2019\/04\/24\/obra-de-professora-da-ufrb-e-vencedora-da-3-edicao-do-premio-thomas-skidmore\/"},"modified":"2019-04-24T12:37:21","modified_gmt":"2019-04-24T12:37:21","slug":"obra-de-professora-da-ufrb-e-vencedora-da-3-edicao-do-premio-thomas-skidmore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/obra-de-professora-da-ufrb-e-vencedora-da-3-edicao-do-premio-thomas-skidmore\/","title":{"rendered":"Obra de professora da UFRB \u00e9 vencedora da 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Thomas Skidmore"},"content":{"rendered":"<figure><figcaption>A primeira edi\u00e7\u00e3o do livro foi publicada em 2016 pela Edufba e se destacou pelo interesse internacional.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A obra \u201cTemores da \u00c1frica: seguran\u00e7a, legisla\u00e7\u00e3o e popula\u00e7\u00e3o africana na Bahia oitocentista\u201d de autoria da professora Luciana da Cruz Brito, do colegiado de Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), foi a vencedora do Pr\u00eamio Thomas Skidmore 2018. O resultado foi anunciado pela comiss\u00e3o julgadora desta edi\u00e7\u00e3o e <a href=\"http:\/\/www.in.gov.br\/materia\/-\/asset_publisher\/Kujrw0TZC2Mb\/content\/id\/71949703\">publicado no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o<\/a> no \u00faltimo dia 17 de abril.<\/p>\n<p>\u201cEsse pr\u00eamio \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o de uma importante conquista profissional. Mulheres como eu, a todo o momento, ainda recebem mensagens de desencorajamento \u00e0 escrita por diversas raz\u00f5es. Seja sob o argumento de que nossa escrita, nossa narrativa e perspectiva da hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 algo importante ou seja ainda sob o argumento que, de t\u00e3o comprometida com \u2018nossos pr\u00f3prios interesses\u2019, n\u00e3o pode obedecer aos protocolos de pesquisa e escrita acad\u00eamica, o que \u00e9 um equ\u00edvoco enorme\u201d, destaca a autora, afirmando-se como uma historiadora negra, nascida em Salvador e oriunda das classes trabalhadoras.<\/p>\n<p>Publicada em 2016 pela Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba), \u201cTemores da \u00c1frica: seguran\u00e7a, legisla\u00e7\u00e3o e popula\u00e7\u00e3o africana na Bahia oitocentista\u201d \u00e9 uma obra que tra\u00e7a um paralelo entre dois eventos que projetaram sombra duradoura sobre os temas da escravid\u00e3o e do racismo no s\u00e9culo XIX: a lei de aboli\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico negreiro de 1831 e a repress\u00e3o aos africanos libertos, que se dava atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o de leis que tinham por objetivo controlar e punir a popula\u00e7\u00e3o africana da Prov\u00edncia.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-28376\" src=\"http:\/\/ufrb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/20190424_comissao-09d.png\" alt=\"\" width=\"746\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/04\/20190424_comissao-09d.png 746w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/04\/20190424_comissao-09d-300x158.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 746px) 100vw, 746px\" \/><figcaption>Comiss\u00e3o Julgadora do Pr\u00eamio Thomas Skidmore &#8211; Edi\u00e7\u00e3o 2018 (Foto: Arquivo Nacional).<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201c\u00c9 um livro que faz parte de uma tradi\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica preocupada em entender, e chegar o mais perto poss\u00edvel, a realidade de homens e mulheres escravizados e libertos e que viviam sob o estigma da escravid\u00e3o. Ao mesmo tempo em que reconhecemos a viol\u00eancia, a persegui\u00e7\u00e3o, o papel das leis que tinham um impacto na maioria das vezes negativo sob o cotidiano da comunidade africana, tamb\u00e9m buscamos entender como estas pessoas tinham vontades, planos, projetos pol\u00edticos, afetividades e tamb\u00e9m discord\u00e2ncias\u201d, explica Luciana. \u201c\u00c9 um livro sobre lutas, sobre rela\u00e7\u00f5es complexas, busca por autonomia e malabarismos que poderiam (ou n\u00e3o) garantir uma vida livre e aut\u00f4noma, e digna se poss\u00edvel\u201d, resume.<\/p>\n<p>Do ponto de vista historiogr\u00e1fico, a obra versa a respeito da falta de garantia de direitos negados aos africanos libertos na Bahia imperial e de como eles tensionavam a sociedade escravista para viver melhor e afirmar suas vontades. A an\u00e1lise tem como pano de fundo Salvador, um dos maiores centros urbanos escravistas desde o fim do s\u00e9culo XVIII. Para tanto, a autora reconhece como fundamental o trabalho de pesquisa no Arquivo P\u00fablico do Estado da Bahia (APEB), que abriga um importante acervo para a hist\u00f3ria das pessoas negras na Bahia e no Brasil. \u201cSem o APEB essa pesquisa n\u00e3o seria poss\u00edvel. Portanto, o pr\u00eamio reafirma a import\u00e2ncia dos nossos arquivos para a pesquisa, escrita e acesso \u00e0 hist\u00f3ria do pa\u00eds\u201d, diz.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-28377\" src=\"http:\/\/ufrb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/20190424_luciana-a3a.png\" alt=\"\" width=\"746\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/04\/20190424_luciana-a3a.png 746w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/04\/20190424_luciana-a3a-300x158.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 746px) 100vw, 746px\" \/><figcaption>Luciana Brito \u00e9 professora adjunta da UFRB desde 2016, vinculada ao Colegiado de Hist\u00f3ria.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Outro aspecto que Luciana destaca \u00e9 o car\u00e1ter pol\u00edtico da premia\u00e7\u00e3o. \u201cEm tempos em que vivemos uma disputa pelas narrativas hist\u00f3ricas, inclusive relativizando o horror que foi a escravid\u00e3o e sobre quem se beneficiou dela, o pr\u00eamio significa o reconhecimento da import\u00e2ncia de uma pesquisa baseada em fontes, fruto de an\u00e1lises muito sofisticadas e complexas, baseadas em debates historiogr\u00e1ficos intensos que ocorreram no Brasil e nos Estados Unidos\u201d, defende. \u201cEmbora estejamos falando do s\u00e9culo XIX no livro, volto a dizer, num momento de disputa pelas narrativas hist\u00f3ricas, um pr\u00eamio dessa import\u00e2ncia que reconhe\u00e7a um trabalho dessa natureza \u00e9 fundamental\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Sobre a autora &#8211; <\/strong>Graduada em hist\u00f3ria pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Luciana realizou mestrado e doutorado na mesma \u00e1rea na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), respectivamente. Al\u00e9m disso, tem p\u00f3s-doutorado no departamento de hist\u00f3ria na City University of New York (CUNY) como bolsista da Andrew W. Mellon Foundation. A autora estuda, particularmente, a \u00e1rea de hist\u00f3ria da escravid\u00e3o e aboli\u00e7\u00e3o nas Am\u00e9ricas numa perspectiva transnacional e comparada, com \u00eanfase no Brasil e Estados Unidos.<\/p>\n<p>Desde 2016, Luciana \u00e9 professora adjunta da UFRB e acredita que a obra, somada a outras tantas escritas por colegas, al\u00e9m das atividades e pesquisas que s\u00e3o levadas a cabo na institui\u00e7\u00e3o, reafirmam a qualidade dos profissionais da Universidade, sobretudo do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL). \u201cTodos os dias estamos fazendo trabalho de excel\u00eancia, com maior ou menor visibilidade, e contribuindo para o avan\u00e7o cient\u00edfico e intelectual do Pa\u00eds. O meu trabalho \u00e9 um dentre v\u00e1rios que, cotidianamente, reafirmam a import\u00e2ncia da UFRB, n\u00e3o s\u00f3 para o Rec\u00f4ncavo baiano, mas para o Brasil\u201d, disse.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-28378\" src=\"http:\/\/ufrb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/20180424_premio-0a7.png\" alt=\"\" width=\"746\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/04\/20180424_premio-0a7.png 746w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/04\/20180424_premio-0a7-300x158.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 746px) 100vw, 746px\" \/><figcaption>A edi\u00e7\u00e3o 2018 teve como tema a quest\u00e3o racial no Brasil e contou com 24 obras inscritas.&nbsp;<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Pr\u00eamio Thomas Skidmore &#8211;<\/strong> Promovido pelo Arquivo Nacional e a Brazilian Studies Association (BRASA), o pr\u00eamio homenageia o brasilianista norte-americano e professor em\u00e9rito da Brown University. Nessa 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, a iniciativa acolheu obras publicadas em l\u00edngua portuguesa entre os anos de 2013 a 2017 sobre a tem\u00e1tica da quest\u00e3o racial no Brasil. O tema corresponde \u00e0 obra cl\u00e1ssica de Thomas Skidmore, cujo t\u00edtulo \u00e9 \u201cPreto no Branco: ra\u00e7a e nacionalidade no pensamento brasileiro (1870-1930)\u201d, resultado de um estudo pioneiro realizado nos anos 70.<\/p>\n<p>Como requisitos, as obras concorrentes ao Pr\u00eamio Thomas Skidmore tamb\u00e9m devem apresentar conte\u00fado autoral e de interesse internacional. <a href=\"http:\/\/www.arquivonacional.gov.br\/br\/ultimas-noticias\/1331-confira-as-obras-habilitadas-ao-premio-thomas-skidmore-2018.html\">24 tiveram inscri\u00e7\u00e3o validada em 2018<\/a>. O livro escolhido ser\u00e1 republicado nos Estados Unidos, com recursos pagos pela BRASA. Para men\u00e7\u00e3o honrosa foram selecionados os livros \u201cConstitucionalismo brasileiro e o Atl\u00e2ntico negro: a experi\u00eancia constituinte de 1823 diante da Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana\u201d, de autoria de Marcos V. Lustosa Queiroz, e \u201c\u00c1gua de barrela\u201d, de autoria de Eliana Alves Cruz.<\/p>\n<p><em>Com informa\u00e7\u00f5es da <a href=\"http:\/\/www.edufba.ufba.br\/2016\/08\/luciana-da-cruz-brito\/\">Edufba<\/a>&nbsp;e do <a href=\"http:\/\/www.arquivonacional.gov.br\/br\/ultimas-noticias\/1640-resultado-do-premio-thomas-skidmore.html\">Arquivo Nacional<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira edi\u00e7\u00e3o do livro foi publicada em 2016 pela Edufba e se destacou pelo interesse internacional. 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