{"id":28565,"date":"2019-06-13T20:39:05","date_gmt":"2019-06-13T20:39:05","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/2019\/06\/13\/ufrb-instrui-processo-do-bembe-do-mercado-como-patrimonio-cultural-do-brasil\/"},"modified":"2019-06-13T20:39:05","modified_gmt":"2019-06-13T20:39:05","slug":"ufrb-instrui-processo-do-bembe-do-mercado-como-patrimonio-cultural-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/ufrb-instrui-processo-do-bembe-do-mercado-como-patrimonio-cultural-do-brasil\/","title":{"rendered":"UFRB instrui processo do Bemb\u00e9 do Mercado como Patrim\u00f4nio Cultural do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Professores e estudantes do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (CECULT) da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB) realizaram a pesquisa com vistas \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de dossi\u00ea e dos document\u00e1rios audiovisuais que subsidiaram a instru\u00e7\u00e3o do processo de Registro do Bemb\u00e9 do Mercado, festa tradicional da Cidade de Santo Amaro, como Patrim\u00f4nio Cultural do Brasil.<\/p>\n<p>A partir da celebra\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/2019\/05\/19\/ufrb-e-secultba-celebram-acordo-durante-programacao-do-bembe-do-mercado\/\">Termo de Execu\u00e7\u00e3o Descentralizada entre IPHAN e UFRB<\/a> foram produzidas as informa\u00e7\u00f5es e materiais necess\u00e1rios \u00e0 conclus\u00e3o da instru\u00e7\u00e3o do processo de Registro do Bemb\u00e9 do Mercado, que foi a submetido ao Conselho Consultivo do IPHAN para o reconhecimento desse bem cultural em reuni\u00e3o que aconteceu hoje dia 13 de junho.<\/p>\n<figure><figcaption>Bemb\u00e9 do Mercado. Foto de Zeza Maria.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ap\u00f3s a an\u00e1lise de pertin\u00eancia do pedido de registro pela C\u00e2mara T\u00e9cnica do Patrim\u00f4nio Imaterial, realizou-se a instru\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica tendo em vista a categoriza\u00e7\u00e3o do Bemb\u00e9 do Mercado como Celebra\u00e7\u00e3o, segundo as categorias de Registro dispostas no <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/d3551.htm\">Decreto N\u00ba 3551\/2000<\/a>, e&nbsp; de forma ampliar o conhecimento produzido para o Registro Estadual do Bemb\u00e9 do Mercado.<\/p>\n<p>Para o reitor da UFRB, professor Silvio Soglia, \u201cA op\u00e7\u00e3o pelo regime de parceria com a UFRB, atrav\u00e9s do Termo de Execu\u00e7\u00e3o Descentralizada &#8211; TED &#8211; justificou-se pela ader\u00eancia \u00e0 miss\u00e3o institucional da universidade, com a pesquisa e experi\u00eancia de seu corpo de pesquisadores na \u00e1rea de culturas populares, que a credenciaram no desenvolvimento dessa pesquisa&#8221;.<\/p>\n<p>A pesquisa, de cunho interdisciplinar, foi coordenada pelo professor Danillo Barata, doutor em comunica\u00e7\u00e3o, cineasta e mestre em artes visuais, e contou com a participa\u00e7\u00e3o das antrop\u00f3logas e professoras Thais Salves de Brito, especialista em narrativas, cultura material e patrim\u00f4nio, e Francesca Arcand, estudiosa dos rituais e das festas e do especialista em cultura musical afro-brasileira Jorge Lu\u00eds Ribeiro de Vasconcelos. Completaram a equipe da pesquisa estudantes do Bacharelado Interdisciplinar em Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas da UFRB, dentre os quais cabe destacar Manuela Pereira da Silva, M\u00e3e Manuela de Ogum, que por seus conhecimentos espec\u00edficos e vivencias relacionadas ao Bemb\u00e9, atuou tamb\u00e9m como consultora e facilitadora dos contatos entre a equipe e os v\u00e1rios detentores e autoridades religiosas vinculadas a esta tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O processo para reconhecimento das manifesta\u00e7\u00f5es do Bemb\u00e9 do Mercado iniciou-se no ano de 2013, a partir da solicita\u00e7\u00e3o formal da Associa\u00e7\u00e3o Beneficente e Cultural Il\u00ea Ax\u00e9 Oj\u00fa Onir\u00ea.<\/p>\n<p>De acordo com o material apresentado para a an\u00e1lise de pertin\u00eancia do pedido de reconhecimento, participam dessa celebra\u00e7\u00e3o, cerca de 44 terreiros envolvidos no Bemb\u00e9, muitos dos quais os mais antigos de Santo Amaro. Estes terreiros est\u00e3o organizados em um comit\u00ea gestor que elege, periodicamente, um terreiro para tomar a frente da organiza\u00e7\u00e3o da festa. O envolvimento da popula\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o das casas de matriz africana, se d\u00e1 na parte p\u00fablica do evento, enquanto devotos, e enquanto produtores de servi\u00e7os e estrutura da celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Bemb\u00e9 do Mercado \u00e9 um candombl\u00e9 feito na rua que renova anualmente o ax\u00e9 da comunidade de santo e celebra o Treze de Maio como refer\u00eancia a resist\u00eancia do povo de santo.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-28564\" src=\"http:\/\/ufrb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/bembe2-426.png\" alt=\"Bemb\u00e9 do Mercado \u00e9 reconhecido como Patrim\u00f4nio Cultural do Brasil ap\u00f3s o Conselho Consultivo do Patrim\u00f4nio Cultural do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstica Nacional (Iphan) aprovar por unanimade o registro da festa.\" title=\"Bemb\u00e9 do Mercado \u00e9 reconhecido como Patrim\u00f4nio Cultural do Brasil ap\u00f3s o Conselho Consultivo do Patrim\u00f4nio Cultural do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstica Nacional (Iphan) aprovar por unanimade o registro da festa.\" width=\"746\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/06\/bembe2-426.png 746w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2019\/06\/bembe2-426-300x158.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 746px) 100vw, 746px\" \/><figcaption>Bemb\u00e9 do Mercado \u00e9 reconhecido como Patrim\u00f4nio Cultural do Brasil ap\u00f3s o Conselho Consultivo do Patrim\u00f4nio Cultural do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstica Nacional (Iphan) aprovar por unanimade o registro da festa.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O car\u00e1ter identit\u00e1rio do Bemb\u00e9 \u00e9 refor\u00e7ado pela delimita\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio sagrado, compartilhado nas casas de candombl\u00e9 e que, para al\u00e9m delas &#8211; uma vez que todos os fundamentos envolvidos percorrem v\u00e1rias casas que compartilham sua organiza\u00e7\u00e3o &#8211; culminam na planta\u00e7\u00e3o do ax\u00e9 em pra\u00e7a p\u00fablica, e em outros espa\u00e7os p\u00fablicos e sagrados como as matas e o mar. Esse sistema cultural possui a potencialidade de criar v\u00ednculos territoriais e de solidariedade necess\u00e1rios \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o dos terreiros de candombl\u00e9 e o fortalecimento da sustentabilidade de transmiss\u00e3o da sua tradi\u00e7\u00e3o para as demais gera\u00e7\u00f5es e promo\u00e7\u00e3o da visibilidade da comunidade de santo da regi\u00e3o perante os demais moradores do Rec\u00f4ncavo Baiano. O Bemb\u00e9 do Mercado \u00e9 uma festa que, segundo narrativas populares, celebra o primeiro ano da publica\u00e7\u00e3o da lei da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. Desde 13 de maio de 1889, como conta o povo de Santo Amaro-Bahia\/Brasil, os negros t\u00eam celebrado o fim da escravid\u00e3o. E o fazem da mesma maneira como se faz nos Terreiros de Candombl\u00e9: dan\u00e7ando, cantando, cultuando os orix\u00e1s.<\/p>\n<p>Se, regularmente, os rituais do Candombl\u00e9 foram realizados com muita discri\u00e7\u00e3o, naquele primeiro ano de liberdade, a festa n\u00e3o poderia ser discreta, escondida. Foi para celebrar e louvar aos orix\u00e1s, para dizer que as correntes estavam quebradas e que aquele povo poderia ter sua religi\u00e3o, seu corpo e sua alma que as filhas e os filhos de santo fizeram o seu Candombl\u00e9 no centro da cidade. E assim se tem feito desde ent\u00e3o, todos os anos e nesta mesma data.<\/p>\n<p>Conta-se que em 1989 foram os pescadores e o Povo de Santo, sob a lideran\u00e7a de Jo\u00e3o de Ob\u00e1, que transportaram para a rua o culto que era dos terreiros. O Brasil daquele ano, j\u00e1 uma Rep\u00fablica, organizou uma s\u00e9rie de eventos c\u00edvicos para comemorar o primeiro anivers\u00e1rio da aboli\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios lugares, como desfiles, bailes nas associa\u00e7\u00f5es abolicionistas e nos grupos recreativos, memoriais nas escolas e missas nas Igrejas, no entanto, boa parte destes eventos n\u00e3o contava com a participa\u00e7\u00e3o ativa dos ex-escravos. Por isso, em Santo Amaro, homens e mulheres resolveram festejar \u00e0 maneira de seus ancestrais. Naquele ano, aquele Candombl\u00e9 de rua durou tr\u00eas dias. No \u00faltimo dia \u2013 e como parte culminante desta festa \u2013 foi entregue uma oferenda para a M\u00e3e D\u00b4\u00e1gua, como j\u00e1 deveria ser tradicional, para agradecer pela liberdade e pelo sustento.<\/p>\n<p><em>Com informa\u00e7\u00f5es de Danillo Barata.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professores e estudantes do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (CECULT) da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB) realizaram a pesquisa com vistas \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de dossi\u00ea e dos document\u00e1rios audiovisuais que subsidiaram a instru\u00e7\u00e3o do processo de Registro do Bemb\u00e9 do Mercado, festa tradicional da Cidade de Santo Amaro, como Patrim\u00f4nio Cultural [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":28563,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-28565","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28565","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28565"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28565\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28563"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28565"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28565"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28565"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}