{"id":28904,"date":"2019-12-02T23:54:23","date_gmt":"2019-12-02T23:54:23","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/2019\/12\/02\/feminicidio-o-assassinato-de-elitania-de-souza-e-o-exterminio-das-mulheres-negras\/"},"modified":"2019-12-02T23:54:23","modified_gmt":"2019-12-02T23:54:23","slug":"feminicidio-o-assassinato-de-elitania-de-souza-e-o-exterminio-das-mulheres-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/feminicidio-o-assassinato-de-elitania-de-souza-e-o-exterminio-das-mulheres-negras\/","title":{"rendered":"Feminic\u00eddio: o assassinato de Elit\u00e2nia de Souza e o exterm\u00ednio das mulheres negras"},"content":{"rendered":"<p>O assassinato de Elit\u00e2nia de Souza, mulher negra, l\u00edder quilombola e estudante de Servi\u00e7o Social da UFRB, ocorrido no \u00faltimo dia 27\/11, n\u00e3o \u00e9 um caso isolado, mas faz parte do genoc\u00eddio continuado da popula\u00e7\u00e3o negra brasileira. Segundo o Atlas da Viol\u00eancia (2019), 75% das pessoas assassinadas no Brasil s\u00e3o negras.&nbsp;<\/p>\n<p>As mulheres negras correspondem a cerca de dois ter\u00e7os (66%) do total de v\u00edtimas de homic\u00eddios femininos no pa\u00eds. Na maioria dos casos, o crime \u00e9 cometido pelo parceiro, com arma de fogo e em suas casas. A proximidade dos criminosos e o contexto domiciliar indicam que estas mortes t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com viol\u00eancia de g\u00eanero e podem ser tipificadas como feminic\u00eddio, ou seja, as v\u00edtimas morreram por serem mulheres.<\/p>\n<p>Este n\u00famero vem crescendo significativamente na \u00faltima d\u00e9cada, especialmente nas regi\u00f5es Nordeste e Norte. O aumento foi de 60%, enquanto houve crescimento de 1,7% dos assassinatos de mulheres n\u00e3o negras.&nbsp; Diversos fatores contribuem para esse quadro alarmante de viol\u00eancia letal contra mulheres negras mesmo ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o da lei Maria da Penha.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o principal \u00e9 a interseccionalidade entre a viol\u00eancia de g\u00eanero e a racial. Mulheres negras formam o grupo social com pior remunera\u00e7\u00e3o e s\u00e3o respons\u00e1veis integralmente pela cria\u00e7\u00e3o de seus filhos (por abandono, assassinato ou encarceramento sistem\u00e1tico dos homens negros), o que contribui para o processo de \u201cfeminiliza\u00e7\u00e3o da pobreza\u201d. Vivem em territ\u00f3rios de exclus\u00e3o social sujeitas a todo tipo de viol\u00eancia e enfrentam dificuldade de registro de queixa em delegacia especializada, quer seja pela dist\u00e2ncia ou impossibilidade de se proteger e aos seus filhos ap\u00f3s a den\u00fancia. Al\u00e9m disso, sofrem com racismo e misoginia ao tentar buscar prote\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 mais um obst\u00e1culo ao acesso \u00e0 justi\u00e7a.<\/p>\n<p>O assassinato de Elit\u00e2nia fala sobre o terror que acompanha todas as mulheres, todos os dias nas ruas e, principalmente, nas nossas casas. Fala sobre uma sociedade que se alimenta da morte das mulheres em vida, que destr\u00f3i a sa\u00fade mental de gera\u00e7\u00f5es, que autoriza o aniquilamento de mulheres negras e seus filhos. A mesma sociedade que forma masculinidades nos moldes da viol\u00eancia patriarcal do colonialismo e isso precisa ser desnaturalizado.<\/p>\n<p>Cruz das Almas, 02 de dezembro de 2019.<\/p>\n<p>Reitoria da UFRB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O assassinato de Elit\u00e2nia de Souza, mulher negra, l\u00edder quilombola e estudante de Servi\u00e7o Social da UFRB, ocorrido no \u00faltimo dia 27\/11, n\u00e3o \u00e9 um caso isolado, mas faz parte do genoc\u00eddio continuado da popula\u00e7\u00e3o negra brasileira. 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