{"id":31161,"date":"2022-08-30T12:05:18","date_gmt":"2022-08-30T12:05:18","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/2022\/08\/30\/pesquisa-da-ufrb-recomenda-adequacao-de-armadilha-para-captura-de-siris\/"},"modified":"2022-08-30T12:05:18","modified_gmt":"2022-08-30T12:05:18","slug":"pesquisa-da-ufrb-recomenda-adequacao-de-armadilha-para-captura-de-siris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/pesquisa-da-ufrb-recomenda-adequacao-de-armadilha-para-captura-de-siris\/","title":{"rendered":"Pesquisa da UFRB recomenda adequa\u00e7\u00e3o de armadilha para captura de siris"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-31160\" src=\"http:\/\/ufrb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/pesquisa-siris-feed-bc2.png\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"1350\" srcset=\"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2022\/08\/pesquisa-siris-feed-bc2.png 1080w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2022\/08\/pesquisa-siris-feed-bc2-240x300.png 240w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2022\/08\/pesquisa-siris-feed-bc2-819x1024.png 819w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2022\/08\/pesquisa-siris-feed-bc2-768x960.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/p>\n<p>Exemplares de siris capturados em S\u00e3o Francisco do Paragua\u00e7u, na Reserva Extrativista Marinha (RESEX-mar) da Baia do Iguape, munic\u00edpio de Cachoeira, no Rec\u00f4ncavo Baiano e em outras \u00e1reas de pesca da Ba\u00eda de Todos os Santos, na Bahia, por meio de armadilhas de pesca artesanais sinalizam a necessidade de adequa\u00e7\u00e3o do tamanho da malha, a fim de evitar que os siris sejam capturados antes de atingir a maturidade sexual ideal.<\/p>\n<p>Os siris s\u00e3o crust\u00e1ceos semelhantes ao caranguejo, mas com carapa\u00e7a achatada, e o \u00faltimo par de pernas tor\u00e1cicas em forma de nadadeira. O nome &#8220;siri&#8221; deriva da palavra \u201cceri\u201d, que em l\u00edngua guarani significa remo. As esp\u00e9cies de siri, particularmente do g\u00eanero Callinectes, s\u00e3o muito importantes economicamente para os pescadores artesanais no mundo, al\u00e9m de possu\u00edrem relev\u00e2ncia ecol\u00f3gica nas regi\u00f5es litor\u00e2neas. Aqui na regi\u00e3o do Rec\u00f4ncavo, esses crust\u00e1ceos s\u00e3o muito consumidos na forma de &#8220;catado&#8221;.&nbsp;<\/p>\n<p>Em pesquisa conduzida pelo Laborat\u00f3rio de Macroinvertebrados Bent\u00f4nicos e pelo Laborat\u00f3rio de Ecologia Aqu\u00e1tica e Aquicultura, vinculados ao Centro de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, Ambientais e Biol\u00f3gicas (CCAAB) da Universidade Fedaral do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), em parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), os siris das esp\u00e9cies Callinectes danae (siri-tinga)&nbsp;e Callinectes ornatus (siri-de-coroa), capturados mensalmente, entre os meses de agosto de 2013 a julho de 2014, com a ajuda de pescadores &nbsp;de S\u00e3o Francisco do&nbsp;Paragua\u00e7u&nbsp;e utilizando armadilhas do tipo gaiola (as mesmas usadas pelos pescadores locais).<\/p>\n<p>Os pesquisadores e professores da UFRB S\u00e9rgio Schwarz da Rocha e Moacyr Serafim J\u00fanior, em parceria com os pesquisadores Fabr\u00edcio Lopes de Carvalho (UFSB), Edson dos Reis Souza, ex-aluno do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Animal da UFRB e Robert Wagner dos Santos Cardim, ex-bolsista de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da UFRB, descreveram os resultados da pesquisa no artigo cient\u00edfico \u201cMaturidade sexual de Callinectes danae e C. ornatus no estu\u00e1rio do rio Paragua\u00e7u, Bahia, Brasil\u201d publicado no <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.20950\/1678-2305\/bip.2022.48.e635\">Boletim do Instituto de Pesca (2022<\/a>).&nbsp;<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos dados permitiu aos pesquisadores estimar o tamanho da primeira matura\u00e7\u00e3o (L50) das duas esp\u00e9cies do ponto de vista morfol\u00f3gico, morfom\u00e9trico e fisiol\u00f3gico. As estimativas de L50 em Callinectes danae foram: morfol\u00f3gica=55,80 mm, morfom\u00e9trica=59,04 mm e fisiol\u00f3gica=60,41 mm para machos e morfol\u00f3gica=54,63 mm, morfom\u00e9trica=55,33 mm e fisiol\u00f3gica=57,29 mm para f\u00eameas. Considerando Callinectes ornatus, as estimativas foram: morfol\u00f3gica=42,63 mm, morfom\u00e9trica=50,81 mm e fisiol\u00f3gica=43,95 mm para machos e morfol\u00f3gica=42,33 mm, morfom\u00e9trica=42,75 mm e fisiol\u00f3gica=40,43 mm para f\u00eameas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, a determina\u00e7\u00e3o do tamanho de maturidade sexual de ambas as esp\u00e9cies s\u00e3o fundamentais para o estabelecimento dos tamanhos m\u00ednimos de captura e para a defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de gest\u00e3o e sustentabilidade deste importante recurso pesqueiro.&nbsp;<\/p>\n<p>Desta forma, os pesquisadores recomendam que os tamanhos m\u00ednimos de captura devam&nbsp;ser estabelecidos em 61.00 mm para&nbsp;<em>C. danae<\/em>&nbsp;e 51,00 mm para&nbsp;<em>C. ornatus<\/em>, a fim de garantir um melhor manejo da atividade de pesca do siri em S\u00e3o Francisco do Paragua\u00e7u e outras \u00e1reas de pesca da Ba\u00eda de Todos os Santos.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os pesquisadores observaram altas porcentagens de siris (67,9% para C. danae e 59,3% para C. ornatus) capturados abaixo do tamanho da primeira matura\u00e7\u00e3o. Esses percentuais indicam que a malha utilizadas na montagem dos petrechos de pesca (gaiolas) pelos pescadores artesanais de S\u00e3o Francisco do Paragua\u00e7u precisa ser ajustada, a fim de evitar a captura de animais imaturos.&nbsp;<\/p>\n<p>Os pesquisadores recomendam que os \u00f3rg\u00e3os federais competentes atualizem as normas que regulamentam a explora\u00e7\u00e3o de siris na costa brasileira, com a defini\u00e7\u00e3o do tamanho m\u00ednimo de captura com base em estudos cient\u00edficos recentes e preferencialmente com valores diferenciados para cada esp\u00e9cie em cada regi\u00e3o do litoral brasileiro e que C. ornatus seja inclu\u00eddo na legisla\u00e7\u00e3o, uma vez que esta esp\u00e9cie tamb\u00e9m \u00e9 inclu\u00edda no &#8220;catado&#8221;.&nbsp;<\/p>\n<p>A \u00faltima portaria do setor sobre o assunto &#8211; SUDEPE N\u00b0 13, de 21 de junho de 1988 &#8211;&nbsp; normatiza a proibi\u00e7\u00e3o da \u201ccaptura, a industrializa\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o da f\u00eamea ovada do siri-azul (Callinectes danae e C. sapidus).\u201d&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo os professores Moacyr Serafim J\u00fanior e S\u00e9rgio Schwarz da Rocha, estudos como este contribuem para a forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos qualificados e demonstram que os conhecimentos cient\u00edficos gerados pela UFRB podem ser aplicados diretamente pela sociedade civil organizada na melhoria do ordenamento da pesca e manejo sustent\u00e1vel dos recursos pesqueiros na regi\u00e3o da Ba\u00eda de Todos os Santos.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Siris na Ba\u00eda do Iguape&nbsp;<\/strong><br \/>&nbsp;<br \/>O litoral do estado da Bahia apresenta uma grande diversidade de comunidades pesqueiras distribu\u00eddas nos 1.100 km de extens\u00e3o de sua zona costeira. A Ba\u00eda de Todos os Santos concentra a maioria dessas comunidades, com destaque para aquelas localizadas na Reserva Extrativista Marinha (RESEX-mar) da Ba\u00eda do Iguape.&nbsp;<br \/>&nbsp;<br \/>Dados estat\u00edsticos disponibilizados pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente relatam que o Brasil chegou a produzir cerca de 3.000 toneladas de siri no ano de 1998, tendo diminu\u00eddo para 2.274 toneladas em 2010. O estado da Bahia est\u00e1 entre os maiores produtores pesqueiros&nbsp;&nbsp;nacionais&nbsp;deste crust\u00e1ceo de siris (em toneladas) do Pa\u00eds, mas a dispers\u00e3o do esfor\u00e7o de pesca e a inexist\u00eancia de uma rede de coleta de dados de produ\u00e7\u00e3o pesqueira bem definida impedem a consolida\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas que permitam estimar com precis\u00e3o o volume de desembarque desses crust\u00e1ceos no Pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n<p>De maneira geral, a captura de siris \u00e9 praticada de forma artesanal por pequenas comunidades pesqueiras distribu\u00eddas por todo o litoral, por meio de embarca\u00e7\u00f5es n\u00e3o motorizadas e com artes de pesca dos tipos: pu\u00e7\u00e1, armadilha (manzu\u00e1), rede-de-arrasto e rede-de-espera.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/online.fliphtml5.com\/sjtcu\/fnfh\/#p=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">trabalho anterior<\/a> &nbsp;realizado nas comunidades de Santiago do Iguape e S\u00e3o Francisco do Paragua\u00e7u,&nbsp;munic\u00edpio de Cachoeira, os pesquisadores da UFRB, Moacyr Serafim, Sergio Schwarz da Rocha, em parceria com Edson dos Reis Souza verificaram que a frequ\u00eancia nas capturas de siris depende da din\u00e2mica das mar\u00e9s em duplo ciclo (enchente e vazante). Segundo os pescadores entrevistados pelos pesquisadores, a mar\u00e9 e o per\u00edodo lunar influenciam na produtividade, sendo que, nas mar\u00e9s de siz\u00edgia (mar\u00e9 grande), s\u00e3o registradas as maiores abund\u00e2ncias de siris capturados. Desta forma, a pesca de siris \u00e9 realizada em um per\u00edodo de 15 a 20 dias no m\u00eas e os outros dias s\u00e3o destinados \u00e0 pesca de peixes e camar\u00e3o. Os pesquisadores conclu\u00edram que a pesca do siri \u00e9 a atividade pesqueira mais relevante nas duas comunidades, representando a principal fonte de recurso financeiro na renda familiar de todos os pescadores entrevistados.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exemplares de siris capturados em S\u00e3o Francisco do Paragua\u00e7u, na Reserva Extrativista Marinha (RESEX-mar) da Baia do Iguape, munic\u00edpio de Cachoeira, no Rec\u00f4ncavo Baiano e em outras \u00e1reas de pesca da Ba\u00eda de Todos os Santos, na Bahia, por meio de armadilhas de pesca artesanais sinalizam a necessidade de adequa\u00e7\u00e3o do tamanho da malha, a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":31159,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[15],"class_list":["post-31161","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-egressos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31161"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31161\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}