{"id":31950,"date":"2023-07-05T19:55:33","date_gmt":"2023-07-05T19:55:33","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/2023\/07\/05\/ufrb-participa-de-cortejo-em-comemoracao-ao-bicentenario-da-independencia\/"},"modified":"2023-07-05T19:55:33","modified_gmt":"2023-07-05T19:55:33","slug":"ufrb-participa-de-cortejo-em-comemoracao-ao-bicentenario-da-independencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/ufrb-participa-de-cortejo-em-comemoracao-ao-bicentenario-da-independencia\/","title":{"rendered":"UFRB participa de cortejo em comemora\u00e7\u00e3o ao Bicenten\u00e1rio da Independ\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-31949\" src=\"http:\/\/ufrb.edu.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/fotos2julho2-c90.png\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"1350\" srcset=\"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/fotos2julho2-c90.png 1080w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/fotos2julho2-c90-240x300.png 240w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/fotos2julho2-c90-819x1024.png 819w, https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2023\/07\/fotos2julho2-c90-768x960.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/p>\n<p>A Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), convidada pela Academia de Ci\u00eancias da Bahia (ACB), participou no \u00faltimo domingo (2), em Salvador, do cortejo \u201c2 de Julho em Defesa da Ci\u00eancia\u201d, em comemora\u00e7\u00e3o ao Bicenten\u00e1rio da Independ\u00eancia. O evento, que ocorreu nos dias 1, 2 e 4 de julho, contou com a programa\u00e7\u00e3o em celebra\u00e7\u00e3o \u00e0s lutas de Independ\u00eancia do Brasil na Bahia.&nbsp;<\/p>\n<p>O cortejo contou com a participa\u00e7\u00e3o da reitora eleita da UFRB, Georgina Gon\u00e7alves; do atual reitor, F\u00e1bio Josu\u00e9 e do ex-reitor S\u00edlvio Soglia; e dos atuais pr\u00f3-reitores Maur\u00edcio Ferreira (PPGCI), Emerson Santa B\u00e1rbasa (PROAD) e Ana Paula Di\u00f3rio (PROEXC), al\u00e9m de servidores, t\u00e9cnicos, docentes e estudantes da UFRB. Compareceram tamb\u00e9m, pesquisadores e reitores de outras universidades e dos institutos federais. O grupo da UFRB encontrou e dialogou com diversas autoridades pol\u00edticas federais e estaduais, o Movimento Negro Unificado, integrantes da Academia de Ci\u00eancias da Bahia (ACB) e autoridades da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes (Funarte)<\/p>\n<p>Estiveram presentes importantes autoridades pol\u00edticas, como o presidente da Rep\u00fablica, Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva; o governador da Bahia, Jer\u00f4nimo Rodrigues e organiza\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas, de ci\u00eancias e de culturas, como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), a Academia de CI\u00eancias da Bahia (ACB),&nbsp;a Funarte, entre outras.&nbsp;<\/p>\n<p>O \u00faltimo dia da programa\u00e7\u00e3o da ACB, incluiu a participa\u00e7\u00e3o do professor e vice-diretor do Centro de Artes, Humanidades e Letras, S\u00e9rgio Guerra, na mesa \u201cA vis\u00e3o popular da independ\u00eancia no 2 de julho\u201d.<\/p>\n<p><strong>Celebra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O Desfile do Dois de Julho celebra, anualmente, desde 1824, a festa da liberta\u00e7\u00e3o da Cidade de Salvador pelas tropas do Ex\u00e9rcito Libertador &#8211; formada por autoridades e comandantes ligados inevitavelmente aos grandes propriet\u00e1rios baianos com a participa\u00e7\u00e3o de pessoas livres, pobres, libertos e escravos contra o invasor portugu\u00eas. Em 1823, Salvador possu\u00eda uma popula\u00e7\u00e3o estimada em 47.146 habitantes.<\/p>\n<p>A Guerra da Independ\u00eancia do Brasil na Bahia durou mais de um ano entre 1822 e 1823 e envolveu diretamente todas as vilas do entorno da Bahia de Todos os Santos e muitas das vilas do interior da Prov\u00edncia da Bahia, representando um contingente em armas de mais de 20 mil pessoas e outras imensur\u00e1veis em diversas outras frentes de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O professor da UFRB e historiador, S\u00e9rgio Guerra Filho destaca em sua disserta\u00e7\u00e3o &#8220;O povo e a Guerra&#8221; (UFBA, 2004), que embora o povo lutasse contra o invasor portugu\u00eas, havia uma contradi\u00e7\u00e3o no modelo de sociedade baiana, ent\u00e3o vigente, que era altamente hierarquizada e excludente, social e politicamente, em preju\u00edzo das classes populares. Essa contradi\u00e7\u00e3o era marcada pela escravid\u00e3o e as desigualdades raciais, a luta por liberdade, acesso \u00e0 terra e a direitos pol\u00edticos das classes pobres baianas que lutavam, simultaneamente, contra o invasor portugu\u00eas e o modelo de sociedade baiana.<\/p>\n<p>Para S\u00e9rgio Guerra, &#8220;um povo que foi deliberadamente impedido de ter acesso \u00e0s inst\u00e2ncias de poder e decis\u00e3o pelas autoridades e comandantes \u2013 ligados inevitavelmente aos grandes propriet\u00e1rios baianos \u2013 para que a Bahia se alinhasse \u00e0 independ\u00eancia conservadora que j\u00e1 triunfara a partir das prov\u00edncias do Sul&#8221; n\u00e3o teria permiss\u00e3o da elite para que as camadas populares fossem inclu\u00eddas com suas pautas, sob o novo regime imperial. Afinal, a Bahia deixou de ser uma capitania portuguesa para se tornar uma prov\u00edncia brasileira, ou seja, a troca de Portugal para Brasil como refer\u00eancia identit\u00e1ria e de pertencimento era evidente. Os grandes propriet\u00e1rios baianos queriam manter o <em>status quo<\/em> a todo custo.<\/p>\n<p>&#8220;A discord\u00e2ncia ou descontentamento de tais camadas constituiu numa sinaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em favor de uma independ\u00eancia que tivesse entre suas prioridades a inclus\u00e3o pol\u00edtica de grande parcela da popula\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o desprestigiada. O fim da escravid\u00e3o e das desigualdades raciais, a luta por liberdade, acesso \u00e0 terra e a direitos pol\u00edticos \u2013 mesmo longe de uma real possibilidade de materializa\u00e7\u00e3o \u2013 j\u00e1 faziam, h\u00e1 algum tempo, parte da pauta pol\u00edtica das classes pobres baianas. Ao lutar contra a opress\u00e3o colonial e a favor da sua pr\u00f3pria liberdade durante a Guerra de Independ\u00eancia na Bahia, puderam experimentar o autoritarismo das elites, direcionado incisivamente para evitar qualquer possibilidade de acesso popular \u00e0s inst\u00e2ncias de poder&#8221;, descreve S\u00e9rgio Guerra.<\/p>\n<p>&#8221; O novo regime pelo qual lutaram as classes populares durante a Guerra seria, novamente, o velho, excluindo-as pol\u00edtica e socialmente e o povo esteve sens\u00edvel a estes fatos, respondendo com rebeldia. No entanto, esta rebeldia teve seus limites&#8221; afirma o historiador.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio, outorgada em 1824, tratou de definir quem era brasileiro em termos legais. Os nascidos em terras americanas das antigas capitanias do Imp\u00e9rio portugu\u00eas passavam a ser, automaticamente, membros da na\u00e7\u00e3o brasileira. Os que fossem nascidos em Portugal deveriam realizar juramentos \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio junto \u00e0s autoridades locais para serem considerados legalmente como brasileiros adotivos. &#8220;A condi\u00e7\u00e3o de brasilidade estava intimamente ligada \u00e0 ideia de pertencimento a uma comunidade pol\u00edtica e aos derivados direitos pr\u00f3prios \u00e0 cidadania brasileira. Decerto, nem sempre esta cidadania estava imbu\u00edda de um aprofundamento filos\u00f3fico, jur\u00eddico ou ideol\u00f3gico. Esta condi\u00e7\u00e3o e esta percep\u00e7\u00e3o encontravam-se, em grande medida, difusas em diversas a\u00e7\u00f5es que fundamentavam a sua legitimidade na condi\u00e7\u00e3o de pertencimento ao Imp\u00e9rio do Brasil e \u00e0 Na\u00e7\u00e3o brasileira&#8221;, escreve S\u00e9rgio Guerra, em sua tese &#8220;O antilusitanismo na Bahia do Primeiro Reinado (1822-1831)&#8221;.<\/p>\n<p>Em sua tese, S\u00e9rgio Guerra. destaca que a defesa da autonomia provincial e a implementa\u00e7\u00e3o de barreiras \u00e0 vinda e \u00e0 perman\u00eancia de portugueses na Bahia eram faces de uma mesma moeda, na medida em que a pol\u00edtica centralista \u2013 no caso de abril de 1831, encarnada no \u201cportugu\u00eas\u201d D. Pedro I \u2013 e os interesses portugueses eram vistos como obst\u00e1culos ao desenvolvimento da Bahia e do Brasil. &#8220;A rela\u00e7\u00e3o entre a presen\u00e7a portuguesa e a impossibilidade de realiza\u00e7\u00e3o da soberania brasileira t\u00eam ra\u00edzes na pr\u00f3pria guerra de Independ\u00eancia na Bahia, quando a incorpora\u00e7\u00e3o de portugueses emigrados da Cidade da Bahia para as vilas foi vista como uma estrat\u00e9gia de \u201cperf\u00eddia e sutileza\u201d cujo objetivo era submeter a Bahia \u2013 e, a partir da\u00ed, as prov\u00edncias vizinhas \u2013 ao \u201ctirano jugo\u201d. Mesmo depois do t\u00e9rmino da guerra, esta percep\u00e7\u00e3o se perpetuaria, tendo sido expressa nas atas dos movimentos de dezembro de 1823 e de abril de 1831&#8221;, informa S\u00e9rgio Guerra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), convidada pela Academia de Ci\u00eancias da Bahia (ACB), participou no \u00faltimo domingo (2), em Salvador, do cortejo \u201c2 de Julho em Defesa da Ci\u00eancia\u201d, em comemora\u00e7\u00e3o ao Bicenten\u00e1rio da Independ\u00eancia. 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