{"id":36401,"date":"2025-01-09T11:19:41","date_gmt":"2025-01-09T14:19:41","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/?p=36401"},"modified":"2025-01-09T11:19:41","modified_gmt":"2025-01-09T14:19:41","slug":"livro-de-professor-da-ufrb-vence-premio-da-fundacao-biblioteca-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/livro-de-professor-da-ufrb-vence-premio-da-fundacao-biblioteca-nacional\/","title":{"rendered":"Livro de professor da UFRB vence pr\u00eamio da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional"},"content":{"rendered":"\n<p>O professor da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), Walter Fraga, venceu o pr\u00eamio liter\u00e1rio da Biblioteca Nacional de 2024, na categoria Ensaio Social, com o livro &#8220;Longe, muito longe: Manoel Ben\u00edcio dos Passos, um capoeira no ativismo do p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o&#8221;. A premia\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada pela Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional (FBN), entidade vinculada ao Minist\u00e9rio da Cultura (MinC), e o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/bn\/pt-br\/central-de-conteudos\/noticias\/PORTARIAFBNN81DE13DENOVEMBRODE2024PORTARIAFBNN81DE13DENOVEMBRODE2024DOUImprensaNacional.pdf\">resultado<\/a>&nbsp;foi publicado em dezembro de 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A obra narra a trajet\u00f3ria singular do capoeira baiano Manoel Ben\u00edcio dos Passos, representa\u00e7\u00e3o encarnada do ativismo pol\u00edtico negro e popular em um momento crucial da hist\u00f3ria do Brasil. &nbsp;A partir da hist\u00f3ria do personagem, o livro de Fraga reflete sobre ra\u00e7a e racismo nos anos finais do s\u00e9culo XIX, um \u201cmomento decisivo para entendermos os dilemas que ainda hoje aprisionam o Brasil num modelo desigual e excludente\u201d, contextualiza o autor. Fraga complementa que conhecer a vida de Manoel Ben\u00edcio tamb\u00e9m permite ao leitor \u201centender como os projetos de na\u00e7\u00e3o inclusiva e mais justa estavam na base dos sonhos e expectativas que emergiram das lutas contra a escravid\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do pr\u00eamio da FBN, \u201cLonge, muito longe\u201d tamb\u00e9m foi&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/7328-walter-fraga-e-um-dos-10-semifinalistas-da-categoria-historia-e-arqueologia-do-premio-jabuti-academico\">semifinalista na categoria Hist\u00f3ria e Arqueologia do pr\u00eamio Jabuti Acad\u00eamico<\/a>. O reconhecimento da obra surpreendeu positivamente o autor. \u201cQuando comecei a escrever este livro n\u00e3o esperava que ele tivesse esse reconhecimento, pois se trata de um texto biogr\u00e1fico de um personagem que ao longo do tempo caiu no esquecimento ou foi folclorizado como representante de uma Bahia antiga e tradicional\u201d, afirma Fraga.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Longe, muito longe: Manoel Ben\u00edcio dos Passos, um capoeira no ativismo do p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria singular do capoeira baiano Manoel Ben\u00edcio dos Passos, representa\u00e7\u00e3o encarnada do ativismo pol\u00edtico negro e popular em um momento crucial da hist\u00f3ria do Brasil. O livro reconstitui a vida de Manoel Ben\u00edcio dos Passos (1866-1898), um homem negro, que nas ruas de Salvador ficou conhecido pelo curioso apelido de Macaco Beleza. Ao longo de 32 anos, viveu acontecimentos cruciais da Hist\u00f3ria do Brasil, ou por eles foi diretamente afetado, como a Guerra do Paraguai, o Movimento Abolucionista, a consequente aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e os tormentos que se seguiram aos anos iniciais ap\u00f3s a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Manoel Ben\u00edcio foi preso por &#8220;desordem&#8221; aos 14 anos (teve mais de trinta registros de pris\u00f5es ao longo de sua vida); militou no abolucionismo com a distribui\u00e7\u00e3o jornais abolucionistas e se tornando porta-voz da causa e militante ao realizar o enfretamento com as elites ao ler em voz alta em locais de grande movimenta\u00e7\u00e3o de escravos e cativos, do teor das not\u00edcias que defendiam a causa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 13 de maio de 1888, a esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o negra n\u00e3o vivia mais sob o status legal de escrava; era livre ou liberta. Com a Lei \u00c1urea, as elites jogavam a toalha diante de um processo irrevers\u00edvel, e que haviam feito de tudo para retardar. Restava decidir sobre o sistema pol\u00edtico: Monarquia ou Rep\u00fablica? Qual dos dois regimes serviria melhor \u00e0 na\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Nos primeiros dias de 1889, aos 23 anos, Manoel Ben\u00edcio passa a figurar como uma lideran\u00e7a da chamada Guarda Negra, uma organiza\u00e7\u00e3o formada por libertos monarquistas que em muitas cidades do Brasil sa\u00edram \u00e0s ruas em defesa do trono contra ataques desferidos pela propaganda republicana &#8211; a Rep\u00fablica foi proclamada em 15 de novembro de 1889.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outras obras de Walter Fraga<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entender o papel de Manoel Ben\u00edcio e seu ativismo pol\u00edtico antes e depois da queda da Monarquia, est\u00e1 \u00faltima lhe rendeu dois anos de pris\u00e3o no Amazonas e em Fernando de Noronha, e a sua posterior liberta\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o em movimentos de rua em Salvador em 1892 e 1893, \u00e9 parte da hist\u00f3ria reconstitu\u00edda pelo jornalista, professor e pesquisador Walter Fraga, autor de livros como &#8220;Mendigos, moleques e vadios na Bahia do s\u00e9culo XIX&#8221; (Hucitec\/Edufba, 1996) e &#8220;Encruzilhadas da liberdade: hist\u00f3rias de escravos e libertos na Bahia, 1870-1910&#8221; (Ed. Unicamp, 2006).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O professor da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), Walter Fraga, venceu o pr\u00eamio liter\u00e1rio da Biblioteca Nacional de 2024, na categoria Ensaio Social, com o livro &#8220;Longe, muito longe: Manoel Ben\u00edcio dos Passos, um capoeira no ativismo do p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o&#8221;. 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