{"id":44172,"date":"2025-10-10T14:19:14","date_gmt":"2025-10-10T17:19:14","guid":{"rendered":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/?p=44172"},"modified":"2025-11-03T14:19:42","modified_gmt":"2025-11-03T17:19:42","slug":"livro-de-professor-da-ufrb-analisa-a-censura-nas-telenovelas-brasileiras-durante-a-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/noticias\/livro-de-professor-da-ufrb-analisa-a-censura-nas-telenovelas-brasileiras-durante-a-ditadura-militar\/","title":{"rendered":"Livro de professor da UFRB analisa a censura nas telenovelas brasileiras durante a Ditadura Militar"},"content":{"rendered":"\n<p>Durante o regime militar, a censura no Brasil n\u00e3o se limitou \u00e0 repress\u00e3o pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m se estendeu \u00e0s produ\u00e7\u00f5es culturais do pa\u00eds, especialmente \u00e0s telenovelas. \u00c9 a an\u00e1lise dessa imposi\u00e7\u00e3o que Guilherme Fernandes, jornalista e professor da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), apresenta em seu livro \u201cMentalidade cens\u00f3ria e telenovela na ditadura militar\u201d, que ser\u00e1 lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo dia 15 de outubro. A obra investiga como os valores morais impostos pelo regime influenciaram as produ\u00e7\u00f5es televisivas da \u00e9poca, impactando a forma como a sociedade brasileira se via representada na tela.<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o de Fernandes parte do conceito de mentalidade cens\u00f3ria que, segundo o autor, refere-se a um per\u00edodo que vai al\u00e9m do regime ditatorial, tendo in\u00edcio no Brasil Col\u00f4nia e se estendendo at\u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Esse conceito remete \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de uma moral conservadora e autorit\u00e1ria sobre as produ\u00e7\u00f5es culturais do pa\u00eds, com base em valores como patriarcalismo, machismo, racismo, homofobia e misoginia. Durante a Ditadura Militar, essa censura se intensificou, com o regime utilizando a televis\u00e3o como uma ferramenta de controle social e pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Fernandes, a telenovela ocupa um papel central em sua pesquisa por ser o produto da ind\u00fastria cultural brasileira mais consumido e com maior capacidade de influenciar debates p\u00fablicos. Segundo ele, sua escolha se deu tanto pela relev\u00e2ncia social do g\u00eanero quanto pela escassez de estudos espec\u00edficos no contexto da censura. \u201cUm assunto tratado na telenovela ganha as ruas e os temas passam a ser discutidos socialmente. Ademais, \u00e0 \u00e9poca em que iniciei os estudos, constatei uma car\u00eancia nessa forma de divers\u00e3o. H\u00e1 v\u00e1rios trabalhos sobre censura \u00e0 m\u00fasica, teatro, cinema e livros, contudo n\u00e3o havia estudos espec\u00edficos sobre a telenovela\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s analisar pareceres cens\u00f3rios disponibilizados pelo Arquivo Nacional, Fernandes constatou que a atua\u00e7\u00e3o da censura nas telenovelas n\u00e3o se limitava a barrar conte\u00fados politicamente sens\u00edveis ou contr\u00e1rios ao regime militar. Ela tamb\u00e9m impunha uma vis\u00e3o moral conservadora, interferindo diretamente nos enredos, personagens e temas abordados. \u201cA censura agia como uma verdadeira \u2018autora\u2019 das novelas, modificando enredos e personagens. Diversos temas de interesse social tiveram de ser eliminados e outros atenuados. A mentalidade cens\u00f3ria agia a partir do lema integralista &#8220;Deus, P\u00e1tria e Fam\u00edlia&#8221;, ressalta o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a censura n\u00e3o era apenas uma medida pol\u00edtica; ela representava uma mentalidade cens\u00f3ria \u2014 um modo de pensar conservador e autorit\u00e1rio que atravessa a hist\u00f3ria do pa\u00eds. Fernandes argumenta como essa l\u00f3gica interferia na maneira como a sociedade era representada e moldada pelas novelas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo ap\u00f3s o fim da censura oficial, Fernandes observa que tra\u00e7os da mentalidade cens\u00f3ria ainda persistem na sociedade brasileira. Segundo ele, formas de controle sobre a produ\u00e7\u00e3o cultural continuam existindo, agora mediadas por interesses econ\u00f4micos, pol\u00edticos e religiosos. \u201cAinda hoje h\u00e1 uma tentativa do Estado tutelar o que as pessoas podem ou n\u00e3o consumir no \u00e2mbito cultural. Ainda hoje encontramos esses valores sendo debatidos por pol\u00edticos-religiosos e a cria\u00e7\u00e3o de projetos de leis que visam proibir algo tido como imoral ou que fere os bons costumes\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lan\u00e7amento oficial&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O livro de Guilherme Fernandes ser\u00e1 lan\u00e7ado no dia 15 de outubro, \u00e0s 15h, durante o II Congresso de Hist\u00f3ria Social da Bahia, no Centro de Cultura Vereador Manuel Querino, em Salvador. O evento contar\u00e1 tamb\u00e9m com uma mesa intitulada&nbsp;<em>\u201c\u00d3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o, censura e arquivos da repress\u00e3o: da ditadura \u00e0 democracia\u201d<\/em>, com a participa\u00e7\u00e3o dos professores Vicente Arruda (UFRJ\/LETACI) e Joviniano Neto (UFBA), ao lado de Fernandes. A entrada \u00e9 gratuita.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o autor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Professor Adjunto do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) e do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o (PPGCOM) da UFRB, Guilherme Fernandes \u00e9 doutor em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e jornalista por forma\u00e7\u00e3o. Realizou est\u00e1gio p\u00f3s-doutoral junto ao Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, recebeu da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunica\u00e7\u00e3o (Intercom) o pr\u00eamio Luiz Beltr\u00e3o na categoria Lideran\u00e7a Emergente. Foi presidente da Rede de Estudos e Pesquisa em Folkcomunica\u00e7\u00e3o (Rede Folkcom) e coordenador do GT Hist\u00f3ria das M\u00eddias Audiovisuais da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadores de Hist\u00f3ria da M\u00eddia (Alcar). \u00c9 pesquisador do Grupo de Pesquisa Corpo e Cultura (CNPq\/UFRB\/UFBA). Tem pesquisado e orientado sobre folkcomunica\u00e7\u00e3o, censura \u00e0s divers\u00f5es p\u00fablicas e homossexualidades nas telenovelas brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como acessar a obra<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMentalidade cens\u00f3ria e telenovela na ditadura militar\u201d \u00e9 resultado da tese de doutorado de Guilherme Fernandes, defendida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O livro tem financiamento, por meio de edital de publica\u00e7\u00e3o, da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).<\/p>\n\n\n\n<p>A obra pode ser&nbsp;<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/drive\/u\/0\/folders\/1GEY0n3GAi0j4vVeuifuWZir5DNd96eV2\">baixada gratuitamente para leitura<\/a>. Al\u00e9m disso, a vers\u00e3o f\u00edsica ser\u00e1 comercializada em plataformas online e tamb\u00e9m distribu\u00edda para bibliotecas e centros de pesquisa da Bahia, incluindo a UFRB, com uma tiragem limitada de exemplares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante o regime militar, a censura no Brasil n\u00e3o se limitou \u00e0 repress\u00e3o pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m se estendeu \u00e0s produ\u00e7\u00f5es culturais do pa\u00eds, especialmente \u00e0s telenovelas. \u00c9 a an\u00e1lise dessa imposi\u00e7\u00e3o que Guilherme Fernandes, jornalista e professor da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), apresenta em seu livro \u201cMentalidade cens\u00f3ria e telenovela na ditadura [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":44173,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-44172","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44172"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44172\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44174,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44172\/revisions\/44174"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44173"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ufrb.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}