UFRB inaugura Cuidoteca no Centro de Formação de Professores, em Amargosa
No dia 20 de março de 2026, o Centro de Formação de Professores (CFP) da UFRB, em Amargosa, viveu um momento histórico com o lançamento da Cuidoteca: Ciranda UFRB. O projeto, fruto de uma parceria estratégica com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), visa oferecer um espaço seguro e pedagógico para o acolhimento de crianças, permitindo que mães e pais da comunidade acadêmica prossigam com seus estudos e trabalhos.
A cerimônia contou com a presença da reitora da UFRB, Georgina Gonçalves, do vice-reitor Fábio Josué, da Diretora do CFP, Creuza Silva, além de representantes do Governo Federal e da coordenação do projeto. A reitora destacou que a iniciativa é um piloto em nove universidades federais para desenhar uma política pública nacional. “Não estamos criando apenas uma cuidoteca; estamos construindo uma política de Estado que garante direitos sociais e permanência para mulheres oriundas da classe trabalhadora”, afirmou Georgina.
A força motriz por trás da conquista foi o Coletivo Lobas, formado por mães estudantes que lutam por esse espaço desde 2019. Edivânia Ribeiro, representante do coletivo, descreveu a inauguração como a “concepção material de uma luta de mulheres negras”. Ela relembrou que a mobilização ganhou força após a dificuldade de conciliar a sala de aula com a maternidade, ressaltando que o nome “Lobas” reflete a espécie animal que luta bravamente por suas crias.
Lisane Marques Lima, representante do MDS, enfatizou que a Cuidoteca é essencial para que as trajetórias de vida não sejam interrompidas por falta de rede de apoio. O espaço funcionará prioritariamente no turno noturno, mas também terá atendimentos diurnos para contemplar a diversidade de cursos do CFP. “A ideia é garantir que alunos e servidores tenham um local seguro para deixar seus filhos enquanto estudam e trabalham”, explicou Lisane.
A estrutura pedagógica será conduzida por dez agentes de cuidado, estudantes de diversos cursos como Pedagogia, Física e Química. A professora Fernanda Souza, coordenadora pedagógica, ressaltou que a diversidade de gênero entre os agentes é proposital: “Cuidado não pode ser responsabilidade exclusiva de mulheres; é de toda a sociedade. Nos inspiramos no provérbio africano que diz que é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”.
A professora Rafaela Lima, coordenadora institucional da Cuidoteca, enfatizou o impacto coletivo da iniciativa. “A Cuidoteca é uma política para garantir permanência; quando uma mulher mãe permanece, tantas outras também conseguem permanecer”, declarou Rafaela. Ela ressaltou que o espaço, pensado para até 40 crianças com fornecimento de alimentação, busca transformar o ambiente universitário em um lugar onde a infância seja respeitada e as mães acolhidas.
Após o ato solene de assinatura e o coffee break, a comunidade acadêmica pôde visitar as instalações, que já iniciaram as atividades acolhendo as crianças.
























































































