UFRB oferta oportunidades de formação em tecnologia para estudantes do Recôncavo
Estudantes do ensino médio, técnico e superior do Recôncavo Baiano contam com dois programas de residência tecnológica desenvolvidos pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), com foco na qualificação em tecnologia. As iniciativas oferecem formação em desenvolvimento front-end e em jogos digitais educacionais, possibilitando aos(às) participantes atualização sobre as demandas do mercado de trabalho e sobre inovação tecnológica.
O coordenador dos programas, Tássio Vale, do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CETEC/UFRB), explica que a metodologia de residência tecnológica combina a formação teórica com o desenvolvimento de projetos práticos. “Os participantes recebem formação teórica e, ao mesmo tempo, vivenciam situações reais de desenvolvimento de projetos, chegando ao mercado de trabalho mais preparados”, afirma.
Formação em desenvolvimento front-end
Uma das iniciativas é a Residência em TIC 19 – Juventude Dev, realizada em parceria com o Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) de Cruz das Almas. O programa oferece formação gratuita em desenvolvimento front-end para cerca de 80 estudantes do ensino médio técnico, com foco especial em jovens de 16 a 28 anos em situação de vulnerabilidade social.
O front-end corresponde à parte visual de um site ou aplicativo, ou seja, é o que o usuário vê e com a qual interage diretamente na tela, incluindo botões, menus, textos e cores. Durante a formação, os(as) participantes são preparados(as) para atuar na criação dessas interfaces, aliando raciocínio lógico, habilidades técnicas de programação e experiências práticas por meio de projetos acompanhados por instrutores e monitores.
Para a diretora do CETEP de Cruz das Almas, Aldevane Araújo, a parceria amplia as possibilidades de formação dos estudantes. “Quando o estudante participa de uma formação como essa, ele amplia suas oportunidades de inserção no mundo do trabalho e de continuidade dos estudos. É uma iniciativa que fortalece a educação pública e abre novas perspectivas para a nossa juventude”, afirma
Marcel Oliveira é um dos participantes da formação. Aos 17 anos, o estudante do 3º ano do ensino médio do CETEP, conta que já estudava informática, mas buscava uma oportunidade para colocar em prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula. Segundo ele, a residência também representa um diferencial para a construção da carreira profissional. “Vi nessa formação uma oportunidade de complementar o que estava aprendendo e também de me preparar melhor para o futuro. Além disso, é um curso que agrega ao meu currículo”, afirma.

O estudante destaca que já percebe avanços no aprendizado e acredita que os conhecimentos em programação e inteligência artificial serão importantes para sua trajetória profissional. “Até agora, eu conhecia apenas o Portugol. Aqui já comecei a aprender outras linguagens e conceitos da programação. Também vamos aprender sobre inteligência artificial, que é uma área cada vez mais presente no mercado de trabalho e pode facilitar muito o trabalho dos programadores”, diz.
O aprimoramento profissional também é objetivo dos instrutores do curso. O grupo é composto por estudantes da graduação e da pós-graduação da UFRB. Mestrando em Engenharia Elétrica e Computação, Jeovane dos Santos é um deles. Ele destaca que a iniciativa aproxima os jovens do ambiente universitário e das tecnologias mais demandadas pelo mercado. “O projeto é muito interessante porque abre as portas da universidade para estudantes do ensino médio e da graduação, mostrando como funciona o mundo do desenvolvimento de software. A proposta é ensinar primeiro os fundamentos da programação e depois apresentar a inteligência artificial como uma ferramenta de apoio”, explica.
Ao todo, o projeto terá duração de 15 meses, com carga horária de 240 horas de capacitação.
O Juventude Dev integra os Programas e Projetos Prioritários (PPI) da Lei de Informática (Lei nº 8.248/1991), voltados ao fortalecimento de ações de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). O projeto conta com recursos de R$ 709.555 e é executado com o apoio da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), responsável pela gestão nacional da iniciativa.
Desenvolvimento de jogos educacionais
Outra iniciativa direcionada para a formação tecnológica é o programa de residência tecnológica voltado ao desenvolvimento de jogos digitais educacionais para dispositivos móveis. A formação é destinada a estudantes dos níveis médio, técnico e superior das áreas de Tecnologia da Informação, Educação e Artes.
O programa será desenvolvido em três etapas. A primeira consiste em uma capacitação básica em programação oferecida a 500 estudantes durante três meses, sendo metade dessas vagas destinada a candidatos autodeclarados negros e a pessoas atendidas por programas sociais do Governo Federal. Em seguida, os 50 participantes com melhor desempenho avançam para uma etapa de desenvolvimento de projetos, com duração de seis meses, além de outros seis meses de residência tecnológica, quando atuarão diretamente em empresas e instituições parceiras.
Além dos conteúdos técnicos, a formação prevê o uso de ferramentas de inteligência artificial aplicadas ao desenvolvimento de software e de jogos digitais.
Durante a capacitação inicial, os participantes receberão bolsa mensal de R$ 300. Nas etapas de desenvolvimento de projetos e residência tecnológica, o valor da bolsa passa para R$ 2.200 mensais.
De acordo com Tássio Vale, o objetivo é desenvolver soluções que possam contribuir com o processo de ensino e aprendizagem. “O projeto une a formação de estudantes em desenvolvimento de aplicativos e jogos à produção de soluções que poderão ser utilizadas pelas escolas, aproximando a tecnologia das necessidades da educação”, destaca o coordenador.
O programa conta com recursos de R$ 4 milhões. Além da coordenação do professor Tássio Vale, a equipe também conta com a colaboração dos docentes Igor Miranda e Felipe Torres, também do CETEC/UFRB. A iniciativa tem apoio da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), responsável pelo acompanhamento técnico e pela gestão do programa em âmbito nacional.
