Pesquisa

UFRB tem crescimento recorde no número de bolsistas de produtividade CNPq

Universidade passa a ter 28 pesquisadores, com maior diversidade de áreas e mais mulheres

A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) conta com oito novos(as) pesquisadores(as) contemplados(as) com bolsas de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Com o resultado final da Chamada CNPq nº 23/2025, divulgado em julho, a instituição passa a ter 28 pesquisadores(as) reconhecidos(as) com essa modalidade de bolsa. A lista traz os nomes de Danillo Silva Barata, do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (CECULT), Carlos Alfredo Lopes de Carvalho, Rafaela Simão Abrahão Nobrega e Toshik Iarley da Silva, do Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB), Andre Luis Mota Itaparica, Wellington Castellucci Junior e Sarah de Barros Viana Hissa, do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) e Jânia Betania Alves da Silva, do Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade (CETEC).

Os bolsistas produtividade são pesquisadores(as) e cientistas de destaque que recebem um reconhecimento financeiro do CNPq por sua produção científica ou tecnológica de alto nível. O financiamento funciona como um atestado de relevância acadêmica, e não para financiar um projeto específico do zero.  

Entre 2020 e 2023, a UFRB mantinha entre 9 e 14 bolsistas de produtividade ativos, considerando tanto a modalidade de Produtividade em Pesquisa (PQ) quanto a de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT). Em 2025, esse número subiu para 21 e, em 2026, chega a 28. A pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação, Criação e Inovação, Simone Alves, aponta o trabalho de articulação da Pró-reitoria de de Pesquisa, Pós-Graduação, Criação e Inovação (PPGCI) com representantes do CNPq e da Capes em fóruns nacionais de pró-reitores de pesquisa, bem como mobilização com pesquisadores(as) da UFRB como alguns dos fatores para o aumento de bolsistas. 

Mais mulheres à frente de grupos de pesquisa

Um dos dados que mais chama atenção no perfil atual dos(as) bolsistas é a presença feminina: das 28 bolsas de produtividade ativas na UFRB, 16 são de pesquisadoras, o que equivale a 57% do total. “Isso vai na contramão da média nacional, que gira em torno de 37% de mulheres bolsistas. É um grande feito e mostra que a UFRB também está fazendo uma política direcionada ao gênero, estimulando a presença da mulher na pesquisa como líder, com reconhecimento do seu notório conhecimento”, afirma Simone Alves.

Uma das iniciativas de políticas internas de incentivo é o Programa Mulheres na Ciência, que já apoiou pesquisadoras com recursos para o desenvolvimento de suas linhas de pesquisa. Uma das beneficiadas foi a professora Jânia Betânia, do CETEC, que recebeu o apoio do programa antes de ser contemplada, agora, com uma Bolsa de Produtividade em Pesquisa do CNPq.

Jânia desenvolve pesquisas voltadas à substituição de insumos de origem fóssil por matérias-primas sustentáveis, com duas linhas principais: inibidores verdes de corrosão para proteção de metais e modificadores sustentáveis para ligantes asfálticos usados em rodovias. Ela ressalta a importância da ação para o fortalecimento da atuação de pesquisadoras e na promoção da equidade de gênero no ambiente científico. “O apoio foi essencial para impulsionar o desenvolvimento de uma das minhas linhas de pesquisa, fortalecer a formação de estudantes, ampliar colaborações científicas e gerar resultados relevantes, incluindo publicações científicas, depósito de patente e inovação tecnológica”, afirma.

Para a pesquisadora, a bolsa de produtividade reforça essa trajetória. “A concessão da Bolsa de Produtividade em Pesquisa representa mais um importante reconhecimento da qualidade e da relevância científica do trabalho que vem sendo desenvolvido. Essa conquista fortalece a continuidade das pesquisas, amplia as oportunidades de formação de recursos humanos, consolida parcerias nacionais e internacionais e contribui para aumentar a produção científica e tecnológica”, diz.

Diversidade de áreas de conhecimento

O crescimento no número de bolsistas também vem acompanhado de maior diversidade das áreas de conhecimento contempladas e de Centros de Ensino com representação. Nesse novo resultado da chamada CNPq há pesquisadores(as) dos programas de Artes, Agronomia, Arqueologia, Engenharia Agrícola, Filosofia, História e Engenharia de Materiais e Metalurgia. “Isso foi uma das coisas mais positivas que aconteceu na nossa universidade, porque ampliamos a oportunidade de novos programas de pós-graduação surgirem, de consolidar os já existentes e de expandir a formação de recursos humanos qualificados. A gente não fala só de aumento quantitativo, mas também qualitativo: quando você amplia a diversidade das áreas de conhecimento, começa a descentralizar a excelência científica dentro da própria universidade”, destaca Simone Alves.

Entre os bolsistas contemplados está o professor André Itaparica, do CAHL, reconhecido por um projeto do programa de Filosofia. A pesquisa parte da genealogia da consciência moral de Nietzsche, no contexto da chamada moralidade do costume, para investigar duas hipóteses específicas: o papel do castigo no processo de moralização e interiorização de normas e a compreensão da moralização como um processo de autodomesticação do ser humano. O projeto propõe comparar essas hipóteses com teorias contemporâneas da psicologia evolucionista, como as defendidas por Christopher Boehm, em Moral Origins (2012), e Richard Wrangham, em The Goodness Paradox (2019), discutindo possíveis relações entre essas perspectivas e o debate em torno delas. 

Impacto sobre a pesquisa institucional

Para Simone Alves, o aumento do número de bolsistas representa mais do que o fortalecimento da pesquisa institucional, ele amplia a formação de novos pesquisadores e aumenta a capacidade da universidade de captar recursos em editais nacionais, como a Finep. Projetos dessa natureza costumam exigir equipes consolidadas e pesquisadores com trajetória reconhecida nacionalmente. “Quando fortalecemos nossos pesquisadores, fortalecemos toda a universidade. Isso significa mais projetos, mais bolsas para estudantes, mais produção científica e maior capacidade de responder aos desafios da sociedade”, afirma a pró-reitora.

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