Reitor analisa vínculos entre tecnologia e artes em artigo no Jornal A Tarde
O reitor da UFRB, Paulo Gabriel Soledade Nacif, aborda a relação entre a tecnologia e as artes no Jornal A Tarde, em 08 de outubro de 2012. Segue abaixo texto integral:
ESPETÁCULOS DE INOVAÇÃO
Paulo Gabriel Soledade Nacif
Os vínculos entre a tecnologia e as artes são facilmente perceptíveis. Nossos ancestrais dominaram o fogo por meio do entrechoque de pedras e, também assim, podem ter descoberto que diferentes pedras produzem sons diversos. Este talvez tenha sido o início de um processo de inovação que avançou até a complexidade de um piano ou mesmo à música eletrônica.
Os avanços tecnológicos permitiram a João Gilberto cantar no limite do silêncio. Nelson Motta, no livro “Noites Tropicais – Solos, improvisos e memórias musicais”, ao falar sobre João Gilberto e Chet Baker, escreveu que “a tecnologia os libertava da tirania da força vocal e do volume… Com eles, a música saía menos dos pulmões e mais do coração. Eles eram radicalmente tecnológicos: não existiriam sem o microfone. Nem nós sem eles”.
Essas relações óbvias ainda não significaram a conquista de espaços capazes de intensificar, dentro dos muros das escolas e universidades, os estímulos à inovação tecnológica e a formação de pessoal associadas a essas áreas. O processo que intensifica a tecnologização das artes, particularmente dos espetáculos, resulta na necessidade de desenvolvimento de novas especializações profissionais. Além da pertinência, é fácil perceber que esse campo tecnológico pode ser categorizado em termos conceituais e metodológicos, condição para integrar a academia nas suas indispensáveis funções de produção e reprodução (ensino e pesquisa) de conhecimento, bem como no desafio da extensão inovadora.
Nesse assunto, temos ainda, em alguma medida, o paradoxo descrito num discurso do Marechal Casimiro Montenegro Filho, criador do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), sobre a falta de engenheiros no Brasil de 1954: “essa falta… reflete, em parte, a procura insuficiente, dada a circunstância de que a conveniência da utilização de engenheiros para melhorar a eficiência nem sempre é reconhecida…”.
As universidades brasileiras possuem grandes escolas de teatro, cinema, dança e música, mas tais sistemas ainda não são apoiados na intensidade necessária pelos setores tecnológicos. É difícil de ser interpretada a distância que o sistema de educação brasileiro guarda desses processos de inovação. Dizemos isso dada a sua relevância e, mais importante ainda, às suas contribuições futuras para a organização socioeconômica do Brasil. Os vigorosos programas de expansão das universidades e do ensino técnico do governo federal na última década ainda passam distantes desse debate. O mesmo se pode falar de diversos programas de educação tecnológica dos estados.
Em eventos diversos, é comum, interlocutores usarem o carnaval como exemplo da capacidade de mobilização do povo brasileiro. A questão aparece inclusive em atividades sobre tecnologia e inovação. Mas será que o carnaval é um bom exemplo apenas nesse item? Seguramente, não! É possível perceber as escolas de samba e os bumbás de Parintins com dimensões de empresas de bases tecnológicas? E, falando em carnaval, como serão, no futuro, os trios elétricos? Esta invenção – um diferencial da Bahia no mercado de festas mundiais – possui verdadeiras gerações que determinam tendências. No Cirque Du Soleil, o desempenho estonteante do seu elenco se viabiliza, muitas vezes, por uma surpreendente invenção de equipamentos capazes de permitir, em cada cena, sensações arrebatadoras ao público. Em todos os casos, a produção de espetáculos tem quase sempre como rotina a busca permanente por novos paradigmas tecnológicos que desafiam trajetórias anteriores já testadas em todos os campos da cenotécnica e da engenharia de espetáculo.
Os artistas e a indústria do entretenimento fomentam e organizam, cada vez mais, grandes, médios e pequenos espetáculos teatrais, musicais, cinematográficos, circenses, entre outros. Nos lugares mais recônditos do país, as populações reivindicam o acesso a bens culturais e artísticos. Já é hora de ampliarmos os espaços garantidos pelas instituições formadoras a essas demandas. Assim, a cultura brasileira terá os aportes tecnológicos necessários ao seu desenvolvimento e às expectativas que se elevam. Temos muitas vantagens comparativas no mercado mundial (agronegócio, aviação, mineração, carbono, biodiversidade, água, energia etc.). Dentre elas, não podemos nos esquecer da nossa capacidade de emocionar e humanizar o mundo.
Os próximos acervos a serem transferidos serão os das comarcas de Cachoeira, São Félix, Santo Amaro, Cruz das Almas e São Sebastião do Passé. O NUDOC está localizado na Rua Anna Nery, n° 09, Centro, Cachoeira-BA.

Segundo o autor, a temática surgiu da aproximação com as narrativas de terror sem, no entanto, ser fiel ao tema: “Busquei integrar elementos que colocam a vida em suspense em situações corriqueiras. As paixões, a morte, a maldade, a religiosidade, a loucura são abordadas no ritmo da vida das personagens”, diz Aquilino Paiva.
Compromisso social – A comissão responsável pela proposta do curso de Medicina da UFRB fez um diagnóstico das necessidades do sistema de saúde do país e constatou que o Sistema Único de Saúde (SUS) sofre um processo contínuo de desvalorização que exige cada vez mais profissionais qualificados para prover inovação e conhecimento. No entanto, o levantamento aponta que a maioria dos estudantes que hoje sai das universidades tem um fraco conhecimento da realidade situacional, ambiental e das condições de vida das comunidades. “A preocupação com a transformação social quase não existe”, diz Almeida.
Para Nacif, a oferta das vagas é um claro esforço para contemplar ações que mantenham os médicos em suas localidades de formação, em especial no Norte e Nordeste. “Nós estamos em uma região do país densamente povoada e que sofre com a carência de profissionais. Esperamos que este novo curso possa contribuir para uma maior fixação de médicos no interior do Estado”, disse o reitor. A Bahia tem 1,1 médicos por 1000 habitantes, de acordo com o Inep/MEC e o Censo Demográfico 2010/IBGE, uma das piores médias do país.
Investimentos de futuro – Coulon trouxe ainda o exemplo do programa do governo francês Investissements d’avenir, lançado em 2009, que privilegia projetos voltados ao ensino superior e a pesquisa. “Esse programa vai permitir a França avançar consideravelmente, em especial nas áreas médica e biológica, o que poderá ser aproveitado por toda população, uma vez que terá impacto mundial”, diz. Para ele, a universidade com a sua função de pesquisa é a instituição que provoca maior impacto na vida cotidiana. “Se hoje temos um grande número de tecnologias disponíveis, em todos os domínios, a universidade desempenha um papel fundamental nesse progresso”.
Há 16 anos sem estudar, Cristiane Santos foi uma das beneficiadas da ação da UFRB, com a aprovação em segundo lugar no referido cargo. “O pré-concurso ajudou. Foi o mais importante. Na primeira aula eu faltei só porque não sabia do projeto, mas, depois, não perdi nenhuma aula”, revelou uma alegre Cristiane que destacou ainda a vontade de continuar o processo de aprendizagem. “Sempre tive vontade de estudar, ir além”, ressaltou. Junto com Cristiane, mais sete alunos do curso foram classificados para vagas de nível fundamental.
A mostra tem como objetivo chamar a atenção para a memória dos artistas O Louco, Maluco, Maluco Filho, Bolão, Dory e Mister Nascimento, enfatizando a sua contribuição à cultura. A exposição também reúne obras e dados biográficos de nove escultores em atividade – Doidão, Celestino, José, Mário e Téo (descendentes do Louco e do Maluco), Fory, Mimo, Billy Oliveira e Gilberto Filho – com a intenção de proporcionar um espaço de fruição estética, de memória e de reflexão acerca das questões da arte, o que ocorrerá ao longo de mesas-redondas e palestras, com a participação de artistas, professores e comunidade interessada.