SimGrad debate caminhos para aproximar Educação Básica e Educação Superior
Como criar caminhos para que mais estudantes da Educação Básica cheguem, permaneçam e concluam sua formação na universidade? Essa questão orientou as discussões do 8º Simpósio de Graduação (SimGrad) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), realizado nos dias 1º e 2 de setembro de 2026, no Campus de Cruz das Almas. Com o tema “Educação Básica e Educação Superior: diálogos e caminhos possíveis”, a programação reuniu gestores, docentes, técnicos(as), estudantes e representantes do Ministério da Educação (MEC) para discutir estratégias para aproximar escola e universidade, superar os desafios do acesso ao ensino superior e construir trajetórias formativas mais integradas às necessidades da sociedade.
Mesa institucional
Os participantes do Simgrad foram recepcionados ao som da apresentação de Uilian Santana, músico e professor do Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB). A abertura oficial do Simpósio, realizada na manhã do dia 1º de setembro, contou com a composição do dispositivo institucional, seguida das falas das autoridades. Formaram a mesa Georgina Gonçalves, reitora, Fábio Josué, vice-reitor, Carolina Fialho, pró-reitora de Graduação, Lúcia Pellanda, diretora de desenvolvimento acadêmico na Secretaria de Educação Superior do MEC, Janete dos Santos, coordenadora de políticas e planejamento de graduação da UFRB, Alessandra Almeida, coordenadora de ensino e integração acadêmica da UFRB, e Rodolfo da Conceição, estudante e presidente do Diretório Acadêmico do Bacharelado em Física da UFRB, representante discente no Conselho Diretor do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CETEC) e secretário nacional da Casa do Estudante.
A pró-reitora de Graduação, Carolina Fialho, deu boas-vindas aos presentes, ressaltou o trabalho coletivo para a realização do Simpósio e destacou as ações que a UFRB vem desenvolvendo para enfrentar os desafios relacionados ao acesso e à ocupação das vagas nos cursos de graduação, especialmente por meio de iniciativas articuladas com as escolas de Ensino Médio, como o programa “Vem ser UFRB”, criado com oito eixos de atuação e que busca ampliar o ingresso na universidade por meio da aproximação com a Educação Básica, e o “Itinerários Formativos Contínuos”, ação que articula o Ensino Médio e a Educação Superior por meio de mecanismos de ingresso, progressão formativa e aproveitamento de créditos. Nessa perspectiva, ela também falou sobre a criação de novos cursos de graduação.
Carolina ressaltou que as iniciativas não buscam apenas facilitar o acesso, mas também construir uma trajetória de formação que envolva qualidade, acolhimento, pertencimento e perspectiva de futuro, contribuindo para reduzir a evasão tanto na Educação Básica quanto na Superior. “Essas ações têm como principal objetivo pavimentar o caminho do estudante do ensino médio, estimulando seu ingresso no ensino superior com qualidade, acolhimento, visão de futuro e pertencimento”, afirmou a pró-reitora.
Em sua fala, a reitora da UFRB, Georgina Gonçalves, destacou como essas ações reafirmam o compromisso institucional com aqueles que historicamente não tiveram seu acesso à universidade garantido, a partir da construção de novos arranjos de ingresso e de formas de aproximação com a Educação Básica. Para ela, as iniciativas reforçam o papel da UFRB como uma universidade pública conectada à realidade local, mas com atuação e impacto que ultrapassam o Recôncavo. “A gente precisa inventar e reorganizar novos arranjos de ingresso, pensando nesses caminhos possíveis de relação com a educação básica”, afirmou.
Conferência de abertura
Na conferência de abertura do Simgrad da UFRB, representantes da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (SESu/MEC) apresentaram reflexões sobre os desafios atuais e os caminhos para o futuro da educação superior brasileira. A diretora de Desenvolvimento Acadêmico da SESu/MEC, Lúcia Pellanda, destacou a construção de uma Política Nacional de Educação Superior, atualmente em processo de escuta junto a universidades, estudantes, docentes, técnicos e gestores. Segundo ela, a proposta busca pensar a universidade para além da formação profissional, valorizando a formação integral, a cidadania, a autonomia, a inclusão, a sustentabilidade e a relação com os territórios. “A universidade é o lugar da formação do pensamento crítico, da autonomia e da formação para a cidadania. Se queremos uma sociedade mais justa, também precisamos pensar a universidade a partir dessa perspectiva”, defendeu.
Lúcia também apresentou o programa Universidades Transformadoras, estruturado em três eixos: universidades inovadoras, inclusivas e estratégicas. A iniciativa busca ampliar e qualificar a oferta de cursos em áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento do país, fortalecer a inclusão e a permanência estudantil e, ainda, permitir que as universidades revisem currículos, metodologias e ofertas de acordo com as mudanças sociais e as necessidades de cada região.
Na sequência, o coordenador da SESu/MEC, Eduardo Cezari, apresentou indicadores acadêmicos, destacando dados sobre o ingresso, trajetória e conclusão. Ao analisar dados da rede federal e da UFRB, ele chamou atenção para a necessidade de compreender a ocupação de vagas de forma contextualizada, considerando as características dos territórios e a relevância social dos cursos.
Um dos principais pontos abordados foi a necessidade de fortalecer a relação entre universidade e educação básica. Para Eduardo, essa aproximação deve ocorrer não apenas nos cursos de licenciatura, mas em toda a universidade, por meio da extensão, dos currículos e de ações que apresentem aos estudantes da rede pública as possibilidades de acesso, permanência e formação nas universidades federais. “A escola, a educação básica, é o território, é o lugar de todos os cursos. Não tem nenhum curso que não tenha um projeto que possa ser desenvolvido com a escola”, afirmou Cezari.
A conferência também abordou as transformações provocadas pelas novas tecnologias, pelas mudanças no mundo do trabalho e pelas alterações no marco regulatório da educação a distância. Nesse cenário, os palestrantes defenderam que as universidades precisam antecipar demandas, atualizar seus currículos e fortalecer sua presença nos territórios, evitando que as transformações sociais sejam percebidas e enfrentadas apenas depois de já terem produzido impactos sobre a formação dos estudantes.
Mesas-redondas debatem sobre formação e integração
Ainda no dia 1º de setembro, no período da tarde, foram realizadas as mesas-redondas “Escola e Universidade: caminhos a trilhar” e “Parfor e Pibid: uma reflexão sobre formação de professores”, além do lançamento do “Guia de Uso Ético e Responsável da Inteligência Artificial na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia”.
As duas mesas seguiram com a discussão sobre a necessidade de fortalecer a articulação entre a educação básica e o ensino superior. Em “Escola e Universidade: caminhos a trilhar”, representantes da UFRB, da educação estadual e do CETEP discutiram estratégias para aproximar estudantes da universidade e tornar o ingresso no ensino superior uma perspectiva concreta desde a educação básica. Já a segunda mesa, “PIBID: uma reflexão sobre formação de professores”, abordou o papel do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) na aproximação entre universidade e escolas públicas e na formação de futuros docentes. O debate também evidenciou a importância de políticas voltadas à valorização da docência e à formação continuada, além de experiências como o Parfor Equidade, que tem ampliado o acesso à formação superior para públicos e territórios específicos.
Feira de Graduação
Como parte da programação do SimGrad, foi realizada a 2ª Feira de Graduação da UFRB reuniu, no dia 2 de setembro, no Ginásio de Esportes do Campus de Cruz das Almas. Com stands temáticos dos diferentes cursos de graduação, a Feira apresentou ao público a diversidade de áreas de formação da instituição e possibilitou o contato direto com professores(as), estudantes e projetos acadêmicos.
Para Raphael Costa, chefe do Núcleo de Gestão do Programa de Educação Tutorial (PET), a Feira representa uma estratégia para ampliar a divulgação dos cursos e despertar o interesse dos estudantes pela universidade. “A nossa proposta de Feira de Graduação vem para divulgar os cursos da UFRB numa perspectiva de atrair e captar os estudantes para os nossos cursos de graduação e que consigam enxergar na universidade uma perspectiva de futuro”, explica.
Para quem visitou os stands, o contato com diferentes áreas de formação também pode ajudar na escolha profissional. “A gente pode conhecer novas áreas e isso ajuda a gente a escolher a profissão que quer ter no futuro”, afirmou Ellen Souza, estudante do Colégio Nova Visão e visitante da Feira.



















































































