UFRB amplia participação em editais da Finep e fortalece redes e infraestrutura de pesquisa
Fortalecer a infraestrutura de pesquisa também passa pela capacidade de captar recursos em editais de financiamento. Nesse movimento, a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) não apenas tem mantido presença nessas chamadas, como também tem ampliado o número de iniciativas aprovadas. No cenário mais recente, dois projetos voltados ao fortalecimento de estruturas de pesquisa de uso compartilhado e à ampliação de parcerias entre pesquisadores e instituições foram contemplados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Os projetos Central Analítica Multiusuária do Recôncavo (CAMUR) e Núcleo Multiusuário para Conservação, Melhoramento e Uso Sustentável de Recursos Genéticos Vegetais (NUBAG), ambos do Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB/UFRB), foram aprovados no edital Proinfra Desenvolvimento Regional – 2024, destinado a instituições das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e juntos somam R$ 5,5 milhões em recursos. As propostas foram formalizadas em março deste ano, durante o evento Mais Inovação, promovido pela Finep no Senai Cimatec, em Salvador.
As duas iniciativas partem de estruturas e grupos de pesquisa já existentes na UFRB. O financiamento, portanto, não representa a criação de projetos do zero, mas um novo aporte para ampliar e qualificar estruturas que vêm sendo construídas ao longo dos anos com apoio de diferentes fontes de fomento.
Antes desses dois novos projetos, a UFRB já havia sido contemplada na chamada Pró-Infra Expansão e Desenvolvimento de Infraestrutura de Pesquisa, em 2023, com o projeto Fortalecimento e Expansão do Complexo Multidisciplinar de Estudos e Pesquisas em Saúde, e no Proinfra Expansão 2024, com o projeto Equipamentos Estratégicos para o Fortalecimento da Pesquisa. Com a aprovação da CAMUR e do NUBAG, a instituição soma quatro projetos contemplados pela Finep nos últimos três anos, totalizando R$ 18 milhões em recursos, resultado de uma estratégia institucional de articulação e fortalecimento das redes de pesquisa.
Para a pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Simone Alves, o resultado está relacionado a um processo de organização interna e de articulação dos(as) pesquisadores(as) em torno de propostas institucionais mais robustas. “Um projeto para ter êxito na Finep tem que ser bastante articulado, porque tem que envolver bolsistas de produtividade e pesquisa, para mostrar que o grupo é fortalecido e está consolidado. Tem também que ter um projeto robusto, bastante eficiente, para que ele seja competitivo, porque a competição ocorre em nível nacional”, afirma.
A estratégia também envolve o fortalecimento dos(as) próprios(as) pesquisadores(as) e dos grupos de pesquisa. Para Simone, o crescimento do número de bolsistas de produtividade amplia a capacidade da Universidade de disputar recursos, já que esses(as) pesquisadores(as), em geral, atuam na liderança de grupos consolidados. Um dos pesquisadores da UFRB recentemente contemplados com a bolsa PQ é justamente o professor Toshiki Iarley, coordenador da CAMUR. Em 2026, a instituição conta com 28 bolsistas de produtividade ativos, entre as modalidades de Produtividade em Pesquisa (PQ) e Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT). O crescimento desse número também acompanha uma maior diversidade de áreas e centros de ensino representados entre os(as) pesquisadores(as) contemplados(as).
A consolidação das redes de pesquisa é outro elemento, apontado pela pró-reitora, dessa estratégia. Os projetos submetidos à Finep articulam pesquisadores(as) da UFRB e, em alguns casos, instituições parceiras, reunindo competências e estruturas que podem ser compartilhadas entre diferentes grupos.
Para Simone, esse movimento ganha importância quando considerado o perfil da Universidade e o caráter nacional da disputa pelos recursos. “A gente é uma universidade de 20 anos, interiorizada, nova comparada com as demais. Então, a gente conseguir um aporte de 18 milhões é um grande feito, porque a gente voltou a competir bastante no cenário nacional de pesquisa”, afirma.
A articulação entre pesquisa, pós-graduação e inovação, segundo a pró-reitora, tem como objetivo ampliar a capacidade da UFRB de participar dessas redes e apresentar projetos competitivos às agências de fomento. “É uma política de diálogo e de articulação com as agências de fomento e com instituições que possam fortalecer cada vez mais a pesquisa da Universidade e dar visibilidade à nossa potencialidade”, finaliza.
Central analítica multiusuária do Recôncavo
Um dos projetos aprovados é a Central Analítica Multiusuária do Recôncavo (CAMUR), conduzida por uma equipe liderada pelo professor Toshiki Iarley. A iniciativa fortalece a infraestrutura destinada a pesquisas que envolvem plantas, solo e água, com destaque para estudos sobre os efeitos das mudanças climáticas na fisiologia vegetal.
O financiamento permitirá a aquisição de equipamentos de maior complexidade, que podem chegar à casa de R$ 1 milhão ou mais, dependendo da tecnologia e das especificações, e que ampliam as possibilidades de realização de análises na própria Universidade. Entre os equipamentos, Tishoki cita o exemplo do IRGA, utilizado para medir as trocas gasosas das plantas e obter informações relacionadas a processos como fotossíntese e funcionamento dos estômatos.
Para o pesquisador, a disponibilidade desses equipamentos é fundamental para ampliar a qualidade e a precisão das pesquisas desenvolvidas pelo grupo. “Para a gente ter uma análise mais acurada, para ter um fator de impacto maior, a gente precisa de análises mais precisas. E, para que a gente tenha isso, é necessário equipamentos de alto padrão, equipamentos que são extremamente caros”, explica.
A proposta é que a estrutura tenha caráter multiusuário, permitindo que equipamentos e laboratórios sejam utilizados por diferentes pesquisadores e grupos de pesquisa. A iniciativa também amplia as possibilidades de colaboração com outras instituições. Toshiki cita parcerias já estabelecidas pela equipe com as Universidades Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), do Estado da Bahia (UNEB), Federal do Oeste da Bahia (UFOB) e da Bahia (UFBA), cujos pesquisadores poderão ter acesso à estrutura conforme as regras de utilização.
Além de fortalecer as pesquisas em andamento, a estrutura deverá contribuir para a formação de estudantes de graduação e pós-graduação, possibilitando a realização de análises que, em alguns casos, precisam atualmente ser encaminhadas para instituições externas.
Segundo Toshiki, a expectativa é que, futuramente, a estrutura também possa oferecer suporte à comunidade externa, incluindo produtores rurais que necessitam de análises de solo e plantas.
Fortalecimento dos Recursos Genéticos Vegetais
O segundo projeto é voltado ao Fortalecimento do Programa de Recursos Genéticos Vegetais (RGV), por meio do Núcleo Multiusuário para Conservação, Melhoramento e Uso Sustentável de Recursos Genéticos Vegetais (NUBAG). À frente da coordenação está a pró-reitora Simone Alves, também professora vinculada ao programa. Assim como no CAMUR, a iniciativa reúne uma equipe de pesquisadores que já desenvolve diferentes projetos relacionados à conservação e ao melhoramento de espécies vegetais na UFRB.
Simone conta que a Universidade possui bancos de germoplasma voltados a diferentes espécies e finalidades. Entre eles estão o BAG Mamona, o BAG Pinhão-Manso e o BAG do Inhame. Há ainda um banco voltado a espécies de interesse florestal. Essas estruturas estão vinculadas a projetos e pesquisadores que já atuam na conservação e no melhoramento genético.
A proposta foi reunir essas iniciativas em uma estrutura articulada, com a participação de instituições parceiras, como as Universidades Estaduais do Sudoeste da Bahia (UESB) e de Feira de Santana (UEFS). “Essa estrutura já existia. Ela já teve apoio da Petrobras, do CNPq, da Capes e da Fapesb. Agora entra mais um aporte financeiro, no caso da Finep, para continuar fortalecendo essa estrutura, para que os grupos de pesquisa possam utilizar esse recurso de forma multiusuária e criar parcerias”, afirma Simone.
O caráter multiusuário permite que pesquisadores de diferentes projetos utilizem os equipamentos e a infraestrutura disponíveis para desenvolver suas pesquisas. A atuação em rede também amplia as possibilidades de produção científica e de colaboração entre grupos. “O mesmo produto, a mesma pesquisa, pode gerar vários produtos, porque é trabalhado em rede”, explica a pró-reitora.